Nem todos os chineses “pirateiam” a música que ouvem nos seus telemóveis

by Miguel Caetano on 29 de Agosto de 2008

Há uns tempos referi aqui um estudo da empresa de análise do mercado das comunicações móveis M:Metrics segundo o qual, apesar de mais de um terço dos utilizadores chineses de telemóveis inquiridos ter referido que ouvia música a partir dos seus terminais pelo menos uma vez por mês, apenas uma pequena minoria (4,4 por cento) revelou ter comprado toques para telemóvel durante o último mês.

Mas esta semana, a operadora de telecomunicações chinesa China Mobile divulgou que o seu serviço de subscrição de música M.Music Wireless Music Club ultrapassou a fasquia dos 80 milhões de assinantes, de acordo com o Digital Music News. Tendo em conta que em Setembro de 2007, esse número era apenas de 48 milhões, a subida foi de facto impressionante.

Este serviço foi lançado em Julho de 2006 e conta com a participação das quatro grandes editoras discográficas, oferecendo downloads de faixas completas, ringtones, wallpapers, vídeos musicais e revistas via SMS. O mais provável é que estes downloads sejam fornecidos num formato com DRM, mas prontos… Em termos globais, a China Mobile possui actualmente 421,7 milhões de subscritores na China – o que faz desta empresa a maior operadora de telecomunicações do mundo. Assim, os 80,83 milhões de assinantes do M.Music Wireless Music Club representam mais de 20 por cento do número total de clientes da empresa.

Parece muito, mas temos que nos lembrar que a China tem uma população de 1,3 mil milhões de habitantes. Mesmo assim, estes dados demonstram que este país asiático representa um importante mercado que poderá beneficiar muito as empresas – e os artistas… – que investirem nele. Talvez não seja por isso de admirar que todas as grandes companhias de tecnologia estejam a apostar tanto na China. Depois do Google ter aberto o seu motor de pesquisa de MP3 financiado por publicidade, foi a vez da Apple abrir uma loja oficial em Pequim.

O problema é que mais uma vez muitas dessas empresas entram no mercado com uma estratégia puramente dominadora como se fosse um novo El Dorado ou uma terra prometida sem tentar compreender a mentalidade da população local. Talvez tenha sido precisamente por isso que as negociações entre a Apple e a China Mobile para o lançamento do iPhone tenham chegado a um impasse no início do ano.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a talyofj.

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