Napster abandona universidades

by Miguel Caetano on 29 de Agosto de 2008

Algumas semanas depois do Congresso dos Estados Unidos ter aprovado uma lei apoiada pela RIAA que obriga as universidades a fornecerem alternativas legais aos downloads ilegais sob pena de perderem o financiamento do governo federal, uma das empresas responsáveis por esses serviços acaba de anunciar o fim do seu programa dirigido aos campus universitários norte-americanos.

Cinco anos após o lançamento do serviço, a Napster não conseguiu convencer os estudantes a pagar por um serviço de subscrição – ainda que a preço de desconto incorporado no custo da propina – que oferece apenas o aluguer de um número ilimitado de ficheiros. Apesar dos contratos estabelecidos anteriormente com as instituições de ensino superior se manterem em vigor, a companhia não pretende renová-los nem estabelecer novas parcerias neste sector.

“Este programa deixou de ser uma aposta da estratégia da Napster e já não é uma fonte significativa de receitas para a empresa. Temos apenas alguns milhares de assinantes nas univerdades,” informou a Napster num comunicado enviado a Janko Roettgers do P2P Blog que acrescenta que no primeiro trimestre de 2007 a companhia tinha cerca de 45 mil assinantes. Note-se que a grande maioria destes foi obrigada pelas suas universidades a subscrever o serviço.

Lendo isto até parece que ainda nem há quatro anos atrás os responsáveis da empresa escreviam comunicados carregados de declarações efusivas sobre o seu serviço de subscrições. Como o tempo passa! Mas o que é facto é que o número de subscritores da Napster tem descido a olhos vistos e os seus resultados financeiros não podiam ser mais negros, fazendo com que a empresa valha mais “morta que viva”.

Recentemente, a empresa anunciou uma redução do preço da sua subscrição através de um pacote de seis meses que custa apenas 70 dólares em vez dos anteriores 127 dólares e que inclui ainda a oferta de 50 downloads de MP3. Será isto suficiente para atrair novos clientes ou manter os actuais? Tal como o Glenn Peoples, acho que não. Os serviços de subscrição só vão dar certo quando passarem a oferecer MP3s – ainda que segundo um determinado limite – em vez de música protegida por DRM e quando estiverem disponíveis numa série de mercados globais, tal e qual como no caso da loja do iTunes da Apple. Até lá, serão sempre um sorvedouro de dinheiro.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a naokomc.

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