Investigadores defendem que serviços de P2P legal devem pagar mais aos utilizadores que distribuem conteúdos a outros

by Miguel Caetano on 12 de Agosto de 2008

Nos últimos anos, têm surgido uma série de serviços legais de P2P que pretendem alcançar um equilíbrio que muitos julgavam impossível. Ao mesmo tempo que se comprometem a pagar aos artistas, editoras e outros detentores de direitos, também visam oferecer aos antigos “piratas” incentivos financeiros para utilizarem a sua largura de banda para distribuirem as músicas a outros utilizadores que estejam interessados em adquiri-las de uma forma legal e sem correrem o risco de de serem processados.

Um desses serviços que paga aos utilizadores que distribuem conteúdos a outros é o Grooveshark mas existem outros como o extinto Weedshare – que fechou as portas em grande parte por incorporar DRM nas músicas que distribuía -  e o Peerimpact – igualmente encerrado em grande parte por acorrentar as músicas e filmes que vendia a medidas de restrição tecnológica. De todos, o Grooveshark parece ter sido o mais bem sucedido até agora, precisamente porque fez com que fosse possível comprar os ficheiros de música que outros utilizadores copiaram para os seus discos rígidos.

O Grooveshark começou por pagar 10 cêntimos de dólar por cada faixa de 99 cêntimos ao utilizador que faz o upload original da música mas no final de Outubro de 2007 aumentou a comissão atribuída aos uploaders para os 25 cêntimos. No entanto, um grupo de investigadores norte-americanos em economia, ciências de gestão e tecnologias de informação publicou recentemente um artigo académico intitulado “Dynamic Referrals in Peer-to-Peer Media Distribution” onde argumentam que este valor continua mesmo assim, a ser inferior ao valor óptimo.

Kartik Hosanagar (Escola de Gestão de Wharton da Universidade da Pensilvânia), Yong Tan e Peng Han (ambos da Universidade de Washington) aconselham as empresas de P2P cujos modelos de negócio assentam na retribuição de incentivos aos uploaders a pagarem quantias mais elevadas. De acordo, com os investigadores, pode haver mesmo situações em que o pagamento de um montante superior ao preço de venda vale a pena. Outra sugestão que eles dão consiste em aplicar tarifas variáveis consoante o grau de procura de determinados ficheiros. Segundo o que Hosanagar referiu à publicação online Knowledge@Wharton:

A nossa conclusão é que (esses serviços) devem oferecer pagamentos bastante elevados numa fase inicial e que, para além disso, os pagamentos não devem ser fixos. Em muitos casos, descobrimos que o pagamento poderia ser superior ao preço de venda. Por exemplo, a empresa poderia inicialmente pagar 1,50 dólares por um ficheiro com um custo de 99 cêntimos.

Na opinião do investigador, este modelo de funcionamento adequa-se melhor à clássica lei da oferta e da procura em que o pagamento elevado inicial gera um súbito aumento do número de distribuidores – o que, em consequência, resulta numa diminuição da escassez do acesso aos ficheiros. A partir daqui, a empresa pode começar a reduzir gradualmente o valor da compensação. Do mesmo modo, o preço de venda dos conteúdos aos utilizadores numa rede P2P deveria obedecer ao mesmo mecanismo flexível e variável consoante o nível de procura. Esta política de preços variáveis tem vindo a ser utilizada já desde há algum tempo pela loja de música online Amie Street.

Embora Hosanagar não acredite que o modelo Peer-to-Peer venha a substituir o iTunes, ele considera que serviços como o Grooveshark poderão se tornar mais atractivos do que a loja online da Apple para os artistas independentes na medida em que qualquer um pode fazer upload das suas músicas e comercializá-las ao passo que no iTunes é preciso recorrer a uma distribuidora digital.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a The Life of Bryan.

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