
Nos últimos anos, têm surgido uma série de serviços legais de P2P que pretendem alcançar um equilíbrio que muitos julgavam impossível. Ao mesmo tempo que se comprometem a pagar aos artistas, editoras e outros detentores de direitos, também visam oferecer aos antigos “piratas” incentivos financeiros para utilizarem a sua largura de banda para distribuirem as músicas a outros utilizadores que estejam interessados em adquiri-las de uma forma legal e sem correrem o risco de de serem processados.
Um desses serviços que paga aos utilizadores que distribuem conteúdos a outros é o Grooveshark mas existem outros como o extinto Weedshare – que fechou as portas em grande parte por incorporar DRM nas músicas que distribuía - e o Peerimpact – igualmente encerrado em grande parte por acorrentar as músicas e filmes que vendia a medidas de restrição tecnológica. De todos, o Grooveshark parece ter sido o mais bem sucedido até agora, precisamente porque fez com que fosse possível comprar os ficheiros de música que outros utilizadores copiaram para os seus discos rígidos.
O Grooveshark começou por pagar 10 cêntimos de dólar por cada faixa de 99 cêntimos ao utilizador que faz o upload original da música mas no final de Outubro de 2007 aumentou a comissão atribuída aos uploaders para os 25 cêntimos. No entanto, um grupo de investigadores norte-americanos em economia, ciências de gestão e tecnologias de informação publicou recentemente um artigo académico intitulado “Dynamic Referrals in Peer-to-Peer Media Distribution” onde argumentam que este valor continua mesmo assim, a ser inferior ao valor óptimo.
Kartik Hosanagar (Escola de Gestão de Wharton da Universidade da Pensilvânia), Yong Tan e Peng Han (ambos da Universidade de Washington) aconselham as empresas de P2P cujos modelos de negócio assentam na retribuição de incentivos aos uploaders a pagarem quantias mais elevadas. De acordo, com os investigadores, pode haver mesmo situações em que o pagamento de um montante superior ao preço de venda vale a pena. Outra sugestão que eles dão consiste em aplicar tarifas variáveis consoante o grau de procura de determinados ficheiros. Segundo o que Hosanagar referiu à publicação online Knowledge@Wharton:
A nossa conclusão é que (esses serviços) devem oferecer pagamentos bastante elevados numa fase inicial e que, para além disso, os pagamentos não devem ser fixos. Em muitos casos, descobrimos que o pagamento poderia ser superior ao preço de venda. Por exemplo, a empresa poderia inicialmente pagar 1,50 dólares por um ficheiro com um custo de 99 cêntimos.
Na opinião do investigador, este modelo de funcionamento adequa-se melhor à clássica lei da oferta e da procura em que o pagamento elevado inicial gera um súbito aumento do número de distribuidores – o que, em consequência, resulta numa diminuição da escassez do acesso aos ficheiros. A partir daqui, a empresa pode começar a reduzir gradualmente o valor da compensação. Do mesmo modo, o preço de venda dos conteúdos aos utilizadores numa rede P2P deveria obedecer ao mesmo mecanismo flexível e variável consoante o nível de procura. Esta política de preços variáveis tem vindo a ser utilizada já desde há algum tempo pela loja de música online Amie Street.
Embora Hosanagar não acredite que o modelo Peer-to-Peer venha a substituir o iTunes, ele considera que serviços como o Grooveshark poderão se tornar mais atractivos do que a loja online da Apple para os artistas independentes na medida em que qualquer um pode fazer upload das suas músicas e comercializá-las ao passo que no iTunes é preciso recorrer a uma distribuidora digital.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a The Life of Bryan.
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