
Aparentemente, o que está a dar é “piratear” música a toda a força, especialmente se pertencemos a uma nação com cerca de mil milhões de habitantes. Parece que só desta maneira é que conseguimos obrigar as editoras discográficas a entrar em acordo com a maior empresa da Web no sentido de lançar um motor de busca de música grátis.
Digo isto porque o Google lançou finalmente o serviço gratuito de pesquisa de música na China em www.google.cn/music. Infelizmente, o site apenas se encontra disponível aos internautas chineses mas tanto o Music 2.0 como o Wall Street Journal têm imagens. Os utilizadores podem efectuar as pesquisas usando como critérios de selecção o nome do artista, música ou álbum e em seguida escutá-las via streaming, descarregá-las para o seu computador ou aceder às letras.
Para além do recurso à publicidade, o Google pretende ainda financiar o serviço através da integração de links para comprar toques ringback através do site 12530.com da operadora de telecomunicações China Mobile. As receitas serão divididas entre a Google, a empresa chinesa de música online Top100.cn – que é a responsável por fornecer todos os conteúdos -, as maiores editoras discográficas, uma série de publishers de música e várias etiquetas locais.
Apesar de se poderem encontrar vários temas de artistas asiáticos que pertencem ao catálogo da Universal Music e da EMI, a base de dados não parece abranger artistas ocidentais. O que é interessante neste novo motor de busca de música para chineses é que ele é muito melhor do que outros serviços de música financiada por publicidade como o We7 e o Spiral Frog na medida em que se tratam de ficheiros MP3 com uma qualidade bastante razoável – 192 Kbps -, logo, sem DRM. O único senão é que todas as músicas virão com marcas de água digitais de modo a identificar quais os títulos que foram mais descarregados.
De qualquer forma, o novo site da Google deixa passar um recado bastante importante a todas as editoras e outros titulares de direitos que continuam agarrados ao modelo antigo: o preço real da música já é zero (0). Não há volta a dar. Aceitem isto de uma vez por todas. A única forma de contornar isto é levar o consumidor a pagar pela música indirectamente, incorporando um custo artificial na sua mensalidade de acesso à Internet ou através de outras propostas complementares.
A grande incógnita consiste em saber se este novo site irá ajudar a Google a roubar pelo menos uma parte dos 70 por cento da quota de mercado que o seu rival local Baidu detém actualmente na China. Até agora, apenas a EMI acedeu a chegar a acordo com o Baidu no sentido de licenciar um serviço legal de streaming de música em troca da divisão das receitas publicitárias. Mas o que é certo é que o Baidu tem sido atacado de todos os lados, até mesmo pelos titulares de direitos chineses. Por outro lado, calcula-se que 30 por cento do tráfego total do motor de pesquisa seja resultado das pesquisas de música.
Segundo o PaidContent, no âmbito da sua parceria com a Top100.cn, a Google decidiu investir uma quantia não revelada na empresa chinesa. Especula-se que a primeira ronda de investimento tenha ocorrido em 2005, através de um investimento de 3 milhões de dólares de Yao MIng, uma estrela da liga de basquetebol dos EUA NBA.
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