Eis um daqueles “estudos” da responsabilidade de entidades que têm claramente interesses na matéria mas que escondem a sua agenda por debaixo do manto de uma suposta “cientificidade”. Estou a falar de uma pesquisa realizada pela Envisional, uma empresa britânica especializada na monitorização de “fraudes online, pirataria, contrafacção e violação de marca registada”) divulgada pela PC Pro que indica que os clientes dos três maiores fornecedores de acesso à Internet são responsáveis por mais de 65 por cento dos downloads ilegais.
Depois de terem monitorizado mais de 28 mil endereços IP únicos de utilizadores que efectuaram downloads e uploads de torrents durante o mês de Junho, os analistas da Envisional chegaram à impressionante descoberta de que 22,6 por cento desses IPs pertenciam a clientes da Carphone Warehouse – a empresa responsável pelo serviço TalkTalk -, 11,6 por cento referiam-se a clientes da Virgin Media e 21,2 por cento a assinantes da BT (ex-British Telecom).
Em Julho, os resultados obtidos foram bastante semelhantes aos registados no mês anterior: 22,8 por cento para a Virgin Media, 21,5 por cento para a BT e 21,4 por cento para a Carphone Warehouse. Dito assim sem mais nem menos isto não quer dizer absolutamente nada. O facto dos três maiores ISPs de um país serem responsáveis pela maioria dos downloads ilegais não deve ser motivo de surpresa para ninguém.
O que realmente interessava era comparar a quota de mercado actual em termos de ligações domésticas de banda larga de cada um desses ISPs com essas percentagens. Infelizmente, nem a Envisional nem a PC Pro se deram a esse trabalho. Na verdade, este “estudo” da Envisional precisa de ser interpretado à luz do acordo estabelecido há cerca de duas semanas atrás entre seis fornecedores de acesso à Internet britânicos – incluindo Carphone Warehouse, Virgin Media e BT – e a indústria discográfica/cinematográfica onde os ISPs se comprometem a enviar milhares de emails aos seus clientes acusados de partilharem ilegalmente conteúdos protegidos por direitos de autor.
Agora, a Envisional está a usar estes dados do seu “estudo” imparcial para tentar passar a ideia à opinião pública e aos detentores de direitos que os ISPs precisam de se esforçar mais para combater a partilha de ficheiros: “A Virgin apenas enviou 800 a 1000 cartas. Apenas atingiu uma ínfima percentagem dos seus clientes,” referiu o “Dr.” David Price. Mas a verdade é que este estudo não traz nada de significativo e serve apenas para fazer propaganda dos outros serviços da Envisional de combate à “pirataria” como detecção e monitorização de leaks de discos e filmes novos na Internet. Mas é triste que a comunicação social faça alarde de “não informações” como estas. Ainda bem que existe a blogosfera para desmontar estas tretas
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