
Na semana passada escrevi aqui que uma banda Rock de Los Angeles chamada BuckCherry tinha escrito um comunicado distribuído pela sua editora Atlantic Records – que foi entretanto removido – onde se queixavam que o single de apresentação do seu álbum Black Butterfly tinha ido parar aos sites de BitTorrent antes do seu lançamento comercial. Na altura, esse press-release e o tom promocional com que estava escrito deixou-me com a ligeira sensação de que tinham sido os próprios BuckCherry a fazer o upload da música. No entanto, não exisitam quaisquer provas para sustentar essa acusação.
Depois de alguma investigação, o Ernesto do TorrentFreak conseguiu chegar à fonte de origem dessa leak ou fuga e, como esperado, a pessoa que fez o upload da música é alguém bastante próximo da banda. Tendo em conta que esse utilizador apenas fez o upload de um único torrent – precisamente a música dos BuckCherry -, ele conseguiu verificar no site WIki-scanner que o endereço IP dessa pessoa era exactamente o mesmo de alguém que tinha editado a entrada da banda na Wikipedia. A prova dos nove chegou quando o Ernesto enviou um email ao manager do grupo, Josh Klemme, a solicitar-lhe a sua opinião a respeito destes dados e ao receber a sua resposta pode verificar que o seu endereço IP era igual ao do utilizador que fez o upload do disco.
Toda a gente sabe que não há melhor forma de promoção da música de uma banda do que oferecer música grátis, sobretudo em sites com bastante tráfego como os trackers de BitTorrent, mas usar os partilhadores como bode expiatória para uma manobra de marketing de guerrilha não é assim lá muito bonito. Poderia-se até argumentar que os BuckCherry tentaram colocar as culpas na comunidade de P2P de forma a ocultar a sua utilização do BitTorrent para fins promocionais perante os responsáveis da Atlantic Records, uma subsidiária da Warner Music Records. Mas a verdade é que o comunicado foi divulgado em nome da Atlantic, pelo que os funcionários da editora devem ter tido pelo menos algum envolvimento directo neste golpe de teatro.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e pertence a Brocco Lee.
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Não é só não muito bonito, é anti-ético. Ao menos sempre entendi que marketing tem que ser bem reconhecido assim pelo público, mesmo o viral.
Pá, adoro esta história… É deliciosa. Já tinha lido alguma coisa sobre isso quando “se queixaram” naquele press release gratuito. Na altura pensei “mas quem são estes gajos???”… e faz sentido.
É pena que estas coisas não se espalhem ainda mais… mas pronto. Já deu para gozar um bocadinho.