7Digital quer dar música aos ISPs britânicos

by Miguel Caetano on 6 de Agosto de 2008

A desgraça de uns é a sorte de outros. Segundo o memorando assinado no final do mês passado entre seis ISPs britânicos, o governo do Reino Unido e a indústria discográfica, os fornecedores de acesso à Internet comprometeram-se a enviar notificações aos seus clientes suspeitos de partilharem ilegalmente música e a  propor uma série de alternativas legais de modo a combater os downloads ilegais.

Ontem, a retalhista britânica de música online 7Digital informou ao PaidContent:UK que a sua empresa já foi contactada por uma série de ISPs no sentido de lhes fornecer ofertas de subscrição de downloads semelhante à que a Sky deverá lançar no final do ano em parceria com a Universal.

Em resposta, a 7Digital anunciou uma série de soluções de serviços de música digital dirigidas aos ISPs de modo a que estes possam oferecer downloads “grátis” de ficheiros MP3 sem DRM – logo, compatíveis com todos os leitores de MP3, incluindo iPods e iPhones. De acordo com o Distorted-Loop, as três modalidades são as seguintes:

  • Serviços de “marca branca” de downloads que permitirão que os clientes de ligações de banda larga adquirem MP3s de elevada qualidade directamente ao seu ISP. O custo da música descarregada será automaticamente incluindo na conta mensal do cliente;
  • Serviços e pacotes de subscrição que permitirão que os clientes descarreguem música ou façam o streaming de música directamente para o seu computador. Esta opção pode ser incluída numa assinatura de banda larga ou como uma opção a custo premium;
  • Uma parceria com a 7digital.com que oferecerá aos ISPs a capacidade de criar um serviço de download com um montante mínimo de investimento. O ISP poderá oferecer à mesma música grátis como parte do pacote mensal do cliente mas sem acarretar com os custos totais da criação e administração de um serviço.

Não haja dúvida que Ben Drury, o director executivo da 7Digital, teve um excelente sentido de oportunidade. Mas acho que os ISPs ainda não aprenderam a lição da experiência dos Radiohead: os seus clientes já estão habituados a utilizar alternativas gratuitas – embora ilegais – pelo que não irão deixar de utilizá-las a menos que as novas ofertas sejam mesmo muito tentadoras. Nesse sentido, porque não aprender algo com a experiência de trackers de BitTorrent como o Pirate Bay ou mesmo os privados What.cd e Waffles.fm?

Tenho a certeza que os administradores desses sites compreendem muito melhor os interesses dos verdadeiros fãs de música do que pessoas que apenas estão no “negócio” da música digital para ganhar dinheiro. Esta é uma oportunidade única para fazer a coisa certa. Porque não tentar estabelecer a ponte entre as editoras e os trackers de BitTorrent de modo a licenciá-los para que possam operar com toda a legalidade?

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diga cultura
6 de Agosto de 2008 às 21:38
Serviços de música online de ISPs britânicos poderão prejudicar lojas de downloads | Remixtures
4 de Setembro de 2008 às 14:56

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