
Depois de ter oferecido o download grátis de Danç-êh-sá – Ao vivo de Tom Zé e Artista igual Pedreiro dos Macaco Bong, um quarteto de rock instrumental originário da cidade de Cuiabá (Mato Grosso), a brasileira Trama voltou hoje a demonstrar que é uma das editoras mais inovadoras do mundo a disponibilizar para download gratuito e legal o novo álbum dos badaladérrimos Cansei de Ser Sexy (CSS) intitulado Donkey a partir do seu site Álbum Virtual.
Como eu referi aqui no mês passado, o Álbum Virtual é um programa que visa proporcionar aos fãs de música discos completos online durante um período limitado graças ao patrocínio bastante semelhante ao que já utiliza no site de promoção de novas bandas, o TramaVirtual. Se os primeiros dois lançamentos foram patrocinados pela VR, uma empresa que é sobretudo conhecida por cartões de desconto para refeições e que é accionista maioritária da própria Trama, o segundo longa-duração da banda brasileira mais famosa da actualidade conta com o patrocínio da Volkswagen.

Donkey é composto por 11 faixas e vai estar disponível durante três meses no Álbum Virtual. Quem quiser comprar a versão em CD pode também fazê-lo a partir de hoje. Infelizmente, os utilizadores residentes no exterior do Brasil não podem descarregá-lo. Quando se clica na imagem da banda para aceder á página do disco surge uma janela pop-up dizendo o seguinte: “Sorry – the access to this album is allowed only for Brazilian IPs“ (Desculpe – o acesso a este álbum é apenas permitido para os IPs brasileiros)
No entanto, na semana passada uma fonte da Trama afirmou ao G1 da Globo que o download poderia ser feito em qualquer lugar no mundo. Em que ficamos? No caso dos Cansei de Ser Sexy, os fãs da banda podem mesmo assim matar a sua curiosidade no MySpace dos CSS onde todas as músicas podem ser escutadas via streaming. Mas o facto de uma editora como a Trama que cultiva uma imagem de abertura e inovação restringir o acesso aos downloads do Álbum Virtual com base na localização dos utilizadores não deixa de ser menos lamentável por isso.
Aliás, recordo-me agora que por altura do lançamento do disco de Tom Zé eu tentei registar-me mas não consegui porque era exigido que indicasse um estado e código postal referente ao Brasil. Pensava que a lógica de compartimentar a música online em condomínios fechados apenas vigorava nos Estados Unidos.
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Olá,
Me chamo Adriana Silva e sou assessora de imprensa da Trama. Escrevo para esclarecer sobre a restrição dos IPs fora do Brasil.
Como a distribuição desse álbum por aqui foi negociado com a Sub Pop/Warner, que é a gravadora do CSS, não tivemos permissão jurídica e comercial para liberá-lo para todo o mundo, apenas para computadores brasileiros.
Obrigada,
Adriana Silva
A mesma coisa também ocorre lá nos EUA e recaí em um deatalhe técnico banal, mas que todo estrategista deve ter em mente. A idéia não é “compartimentar” a música, apenas liberar onde o cedente dos direitos quer que seja realizado e ele faz isso de acordo com o retorno de tal atividade. Para eles é mais sensato liberar para o país da banda do que gastar banda, CPU de onde é hospedado com milhões de usuários sobrecarregando a banda deles e gerando um gasto que de outra forma não seria coberto.
Ibrahim, pois é. Pelo que a Adriana disse, a decisão de vedar o download a endereços IP fora dos EUA deveu-se à pressão da Sub Pop/Warner. Vindo de uma editora americana, está tudo explicado. Mas é engraçado que esse tipo de restrições costuma vir sempre da parte de gravadoras americanas. Agora pergunto-te: achas que a experiência dos Nine Inch Nails ou dos Radiohead teria tido a mesma repercussão global se eles tivessem impedido os utilizadores não americanos ou não ingleses de descarregar o disco? De qualquer modo, quem tiver mesmo interessado no Donkey dos CSS pode sempre descarregar o disco nas mulas das internets… Mas não acho que seja uma boa politica de uma grande editora – seja ela qual for – provocar a animosidade dos fãs de uma banda.