Topspin: revolução do marketing musical ou mero hype?

by Miguel Caetano on 16 de Julho de 2008

O buzz em volta da Topsin Media, o novo projecto do ex-Yahoo Music Ian Rogers, não pára de aumentar. Mas será justificado? Numa era em que se defende tanto que os artistas devem libertar-se da dependência que os liga às editoras discográficas e tirar partido do fim dos constrangimentos tecnológicos e financeiros que os impediam de lançar uma carreira autónoma, a Topsin parece proporcionar a solução ideal.

Esta empresa criada por Peter Grotcher (fundador da Digidesign, conhecida pelo software ProTools) e Shamal Ranasinghe (ex-Real Networks e MusicMatch) fornece uma pacote de ferramentas de distribuição e marketing digital para a venda de subscrições e downloads digitais.

No seu portefólio de clientes conta já com nomes sonantes como Nine Inch Nails, Josh Rouse e Dandy Warhols. Depois de em Setembro de 2007 ter conseguido uma primeira ronda de investimentos junto da RedPoint Ventures, na semana passada a Topspin conseguiu atrair mais um investidor de peso, o Foundry Group. Tal como da primeira vez, a quantia investida não foi divulgada.

De acordo com o que Ryan McIntyre do Foundry Group afirmou no blog da empresa, “esta é a altura indicada para uma companhia como a Topspin alcançar um grande impacto no mundo da música.” Como já é habitual de cada vez que ouvimos falar de um capitalista de risco que investe na “Música 2.0″, o discurso de McIntyre está recheado de floreado “revolucionário”, como se graças aos serviços mágicos de uma plataforma os artistas fossem agora capazes de fazer tudo por si próprios, sem recurso a um intermediário – como se a Topspin não fosse mais um intermediário…

Mas apesar da retórica, o modelo de negócio da Topspin é bastante promissor. Tão promissor que Bob Lefsetz, um dos bloggers mais influentes no negócio da música, fez um elogio de todo o tamanho a Ian Rogers e à Topspin no mesmo dia em que a notícia da nova ronda de investimentos foi divulgada:

Topspin Media, Ian’s new home, builds infrastructure for acts. You no longer need a label to monetize. You know that overpriced NIN special edition? Ian can create one for you too.

There’s even more up Topspin’s sleeve, having to do with recommendations among other things, but what you’ve got to know here is Ian is everything Doug Morris said he couldn’t find. Ian is a diehard music fan who can also CODE! Ian knows computers better than you do. And he who knows computers well, who can program, who is in touch with how the public UTILIZES digital equipment, will rule in the future. If not Ian and Topspin, then someone else. If you’re part of the old guard, be very afraid. Or quit your job and surf the Net for three months, at least it’ll give you a better idea of what’s going on!

Ora, no mundo da “Música 2.0″, uma palavra de apreço da parte de Lefsetz é sinónimo de sucesso. Ainda para mais, porque ele tem fama de ser um crítico irrascível que arrasa com quase tudo e todos. Daí que Mark Montgomery, director executivo e co-fundador da Echo, tenha escrito uma carta aberta a Bob Lefsetz denunciando aquilo que considera ser um hype exagerado em torno da TopSpin.

Nessa carta, ele refere que a Echo tem vindo a apostar no fornecimento de soluções semelhantes às oferecidas pela Topspin aos artistas ao longo dos últimos cinco anos. De acordo com Montgomery, só no último mês a sua empresa serviu 125 milhões de páginas para os fãs dos artistas seus clientes e 20 Terabytes de ficheiros – incluindo downloads digitais. A empresa gere actualmente mais de 400 plataformas de artistas, incluindo nomes como Kanye West, Alicia Keys, Dolly Parton e Korn.

Pelo que me pude aperceber, parece-me que a grande diferença entre a Topspin e a Echo é que a Topsin aposta mais em subscrições e está mais direccionada para artistas autopublicados que pretendem estabelecer uma relação directa com os fãs. A cauda longa pode ser de facto um bom nicho de mercado mas ainda teremos que esperar algum tempo para ver se os widgets e ferramentas que a empresa de Ian Rogers está a desenvolver conseguirão diferenciar a sua oferta da concorrência.

(via Coolfer)

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a seanbonner.

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