
No que toca aos suportes empregues pelos utilizadores para ouvir música convém não descurar a importância da televisão, ainda para mais se tivermos em conta que os grandes responsáveis pelos maiores sucessos de vendas em Portugal nos últimos anos foram as novelas e as séries de televisão para adolescentes como os Morangos com Açucar da TVI ou a Floribela da SIC.
Mas na América do Norte, o fenómeno do consumo de música através da caixa preta está a sofrer alterações significativas, à medida que os televisores passam a ser digitais e a incorporar uma panóplia de serviços multimédia e interactivos, entre os quais os place-shifting services como o Orb e o Sling Media, que permitem fazer streaming dos conteúdos que gravámos da televisão para outros dispositivos remotos – computadores, telemóveis, consolas de videojogos, etc. – e vice-versa através da Internet. Outra possibilidade é o serviço de time-shifting Tivo.

Uma pesquisa recente da consultora e empresa de estudos de mercado Parks Associates revela que a percentagem de lares nos Estados Unidos e Canádá que possuem ligações à Internet de banda larga onde os consumidores costumam usar a televisão para ouvir música corresponde quase exactamente à mesma percentagem de lares onde os consumidores utilizam um leitor portátil de MP3 para escutar música: cerca de um terço. Contudo, a plataforma preferida continua a ser mesmo o computador pessoal. Na quarta posição vêm os telemóveis, seguidos das consolas de videojogos e das consolas portáteis. De acordo com John Barrett, director de investigação da Parks Associates:
Os iPods são sexys mas nem toda a gente tem um. As TVs, por seu lado, são ubíquas e permitem cada vez mais fornecer uma vasta gama de conteúdos, em especial novas funcionalidades como serviços de música digital e de place-shifting. Isto é apenas a ponta do iceberg para as aplicações concebidas para a plataforma televisiva.
É verdade que estes estudos feitos por “consultoras independentes” são sempre de desconfiar, sobretudo quando apenas se sabe que a Parks Associates se baseou numa amostra de dois mil lares. Para além disso, não sabemos até que ponta a televisão digital é utilizada de uma forma deliberada para ouvir música ou se os inquiridos apenas se queriam referir à música incluída como banda sonora em séries populares de televisão. Mas este é sem dúvida um dado importante que não deve ser ignorado. Parece-me é que a MTV já não está interessada em dedicar muito tempo da sua programação à música. Porque será?
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a that.girl.
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