
Numa altura em que no Reino Unido se discute a possibilidade de detentores de direitos e fornecedores de acesso à Internet chegarem a acordos privados para o lançamento de serviços legais de partilha de ficheiros, a questão de uma tarifa plana para o P2P volta a ser alvo de uma análise académica.
Matt Earp e Andrew Mcdiarmid concluíram recentemente um mestrado na Escola de Informação da Universidade da Califórnia, Berkeley, com uma tese onde propõem a implementação de uma licença voluntária global no interior da rede do campus de Berkeley que daria direito aos estudantes de descarregarem todas as músicas – sem DRM – que quisessem mediante o pagamento de 20 dólares (cerca de 13 euros) por semestre
Intitulada “Uma investigação de uma Licença Colectiva Voluntária para a Partilha de Ficheiros de Música na UC Berkeley”, a tese de 78 páginas visa apresentar um plano prático baseado nas propostas anteriores da Electronic Frontier Foundation e dos juristas Neil Netanel e William Fisher. Os slides de apresentação das principais conclusões estão disponíveis aqui.
Para averiguar se os estudantes do campus estariam interessados neste tipo de tarifa plana e quanto é que estavam dispostos a pagar, os investigadores realizaram um inquérito junto da população estudantil. Em paralelo, eles efectuaram ainda entrevistas a técnicos de informática do campus. Embora os resultados do inquérito sejam prometedores, a verdade é que apenas 103 dos cerca de 6200 estudantes que residem nos dormitórios responderam às questões:
- 64 por cento dos inquiridos afirmaram que estavam dispostos a pagar uma licença global para a partilha de ficheiros.
- A probabilidade dos 75 por cento dos inquiridos que já tinham partilhado ilegalmente ficheiros de música estarem dispostos a pagar era superior ao dobro da daqueles que nunca tinham descarregado músicas via P2P.
- 60 por cento de todos os inquiridos indicaram que um preço razoável para a tarifa se situava na ordem dos 10 dólares ou mais por semestre. A maior parte destas respostas situou-se entre os 10 e os 20 dólares.
- 42 por cento dos inquiridos afirmaram que estariam dispostos a pagar 10 dólares ou mais por semestre para terem o direito de descarregar todos os ficheiros que quisessem.
De modo a averiguar qual seria a melhor forma de aplicar uma licença colectiva aos ficheiros partilhados entre os estudantes dentro da rede do campus, os investigadores tentaram ainda obter dados relativos aos hábitos de utilização das redes P2P:
- 80 por cento dos estudantes que já tinham partilhado ficheiros afirmaram que usavam o DC++ ou outros clientes para o protocolo de P2P Direct Connect, sendo que 30 por cento afirmaram que usam exclusivamente este protocolo.
- 40 por cento indicaram usar o BitTorrent para aceder a música.
Sendo o Direct Connect um protocolo centralizado de peer-to-peer baseado em hubs (servidores) centrais, grande parte das transferências ocorrem dentro da rede universitária pelo que os autores consideram que este dado valida ainda mais a possibilidade de aplicar um sistema de licença voluntária global a nível da intranet do campus onde uma amostra das transferências seja monitorizada mediante o recurso aos dispositivos de hardware CopySense da Audible Magic e aos modelos estatísticos utilizados pela BigChampagne para calcular quais as músicas que foram mais descarregadas.
Uma vez que as campanhas educacionais contra a partilha de ficheiros levadas a cabo pela Universidade de Berkeley são bastante ineficazes (70 por cento dos inquiridos afirmaram que essas mensagens não tinham afectado em qualquer grau o seu uso das redes de partilha de ficheiros) e tendo em conta que as universidades foram desde sempre os principais alvos dos métodos de intimidação da RIAA, os investigadores concluem que a Universidade de Berkeley tem todo o interesse em implementar um sistema de licença voluntária global.
(via ZeroPaid)
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a hughelectronic.
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