Toda a gente está farta de saber que as vendas dos CDs continuam em queda livre mas isso não significa nem por sombras a crise da indústria da música, Muito pelo contrário, nos EUA as receitas geradas pelos concertos continuam tão elevadas como dantes e os bilhetes nunca foram tão caros como agora. No entanto, o dinheiro não está só nos concertos mas também nas vendas de instrumentos musicais.
Na China, que está neste momento a atravessar um período de franca ascensão económica, o piano tornou-se um objecto muito cobiçado por parte das famílias da classe média urbana a ponto do país possuir actualmente a maior fábrica de pianos do mundo. Só no ano passado a Pearl River Piano Company produziu qualquer coisa como 100 mil pianos. O modelo mais barato custa 1600 dólares (pouco mais do que 1000 euros). Algumas estimativas conservadoras apontam para que mais de 30 milhões de crianças chinesas estejam a aprender a tocar piano mas o número real deverá ser muito superior a isso.
Apesar da crise económica que se faz actualmente sentir nos Estados Unidos, os americanos também continuam a comprar instrumentos musicais. Este mercado representa actualmente oito mil milhões de dólares (cinco mil milhões de euros). Não admira por isso que a cadeia de grandes armazéns Best Buy tenha anunciado que planeia abrir até ao final do ano 85 centros musicais no interior das suas lojas onde todo o guitarrista, DJ ou produtor poderá encontrar uma série de instrumentos de fabricantes como Fender, Gibson, Roland e Drum Workshop.
Cada um desses centros musicais deverá ocupar um espaço de 232 metros quadrados e incluirá cerca de 1000 produtos diferentes entre guitarras-eléctricas, baixos, amplificadores, baterias, órgãos, gira-discos, mesas de mistura e partituras. A empresa também pretende ministrar lições de música a grupos. Até agora, já foram abertos dez centros musicais (cinco na Califórnia, dois no Illinois e dois no Minnesota). A Best Buy pretende assim transformar-se no segundo melhor retalhista de instrumentos musicais nos EUA em termos de número de pontos de venda.
Esta iniciativa da Best Buy surge alguns meses depois da empresa ter sido ultrapasssada pelo iTunes da Apple na lista dos maiores retalhistas de música nos Estados Unidos, tendo descido da segunda para a terceira posição. À medida que as vendas de discos tendem a dar cada vez menos dinheiro e a ser menos importantes nas receitas globais das grandes cadeias de lojas, elas tendem a reduzir o espaço de exposição concedido aos CDs. Mas o que é facto é que a procura e o apetite por música não diminui.
A verdade é que existem cada vez mais pessoas a fazer música, nem que seja a partir de um computador. A aposta da Best Buy na comercialização de instrumentos musicais faz por isso todo o sentido. Se a tendência continuar, talvez daqui a uns anos o espaço que era anteriormente concedido aos CDs venha a ser totalmente ocupado por guitarras, baterias, órgãos e acessórios musicais. Porque é que a FNAC não segue então o exemplo da Best Buy?
Nota: as imagens que acompanham este artigo estão disponíveis aqui e aqui segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertencem a ariwriter e Alexis Carrasco.
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"Algumas estimativas conservadoras apontam para que mais de 30 milhões de crianças chinesas estejam a aprender a tocar piano mas o número real deverá ser muito superior a isso."
*…* medo de crianças chinesas super dotadas tocando piano pacas… *.*