Enquanto o resto da indústria da música se continua a lamuriar por o número de fãs de música que ainda compra discos desce a olhos vistos, existe uma outra fonte de receitas ligada à música que rende muito mais. Só que, para muita pena de todos os intermediários – incluindo promotores de concertos -, grande parte desse dinheiro (90 por cento ou mais, no caso das maiores vedetas) vai para o bolso dos artistas.
De acordo com os números recentemente divulgados pela revista industrial Pollstar num relatório e que são citados pelo New York Times e pelo Los Angeles Times, o total de receitas brutas relativas às 100 maiores digressões pela América do Norte durante os seis primeiros meses do ano foi de cerca de 1,05 mil milhões de dólares (cerca de 670 milhões de euros).
Apesar de não se terem registado alterações em relação ao montante arrecadado durante o mesmo período do ano passado, esse valor não deixa no entanto de ser menos significativo, tendo em conta a inflação, o aumento continuado do preço da gasolina e da crise económica generalizada que se faz actualmente sentir nos Estados Unidos e Canadá.
O problema da indústria dos concertos é que a procura é tanta e as margens de lucro dos promotores tão reduzidas que a indústria se tem dado ao luxo de reduzir a oferta para forçar o aumento dos bilhetes. A percentagem de bilhetes vendidos de Janeiro a Junho caiu 5,6 por cento, tendo o número total de entradas se situado nos 16,9 milhões. Em compensação, o preço médio dos bilhetes aumentou 5,9 por cento, situando-se actualmente nos 62,07 dólares (pouco menos do que 40 euros).
Mas esta política comercial pode vir a revelar-se insustentável a médio prazo se a crise económica continuar a provocar uma diminuição do consumo, de acordo com Gary Bongiovanni, editor da Pollstar:
A sabedoria convencional diz-nos que os concertos são um negócio à prova de recessão. Isso podia ser verdade quando os bilhetes custavam 10 ou 15 dólares (6,30 e 9,50 euros) e mas quando estamos a falar de preços de bilhetes na ordem dos três digitos, isso vai ter algum impacto na altura em que for preciso apertar o cinto. Algumas pessoas poderão estar a abdicar de outras opções como férias exóticas e a optar por ficar mais perto de casa. Neste caso, o facto de gastarem dinheiro para irem a um concerto poderá constituir um trade-off.
Uma vez que os bilhetes para os espectáculos mais populares são comprados com meses de antecedência, as vendas para os concertos mais recentes podem ainda não reflectir o impacto da subida do preço do petróleo que, como é sabido, encarece o preço das deslocações dos artistas e de todo o material de apoio.
Por fim, estes números ocultam outro problema. É que se é muito fácil para artistas como Bon Jovi cobrarem em média 88 dólares por bilhete (55 euros) e arrecadarem com isso qualquer coisa como 56,3 milhões de dólares (35 milhões de euros) em seis meses, já para artistas com menos de 25 anos de carreira torna-se muito mais difícil recolher tanto dinheiro.
Aliás, o facto da indústria de concertos depender sobretudo de artistas com mais de 45 anos é bem evidenciado pelo facto de na segunda posição do Top 100 da Pollstar se encontrar nada menos do que Burce Springsteen e a sua E Street Band, com 40,8 milhões de dólares (26 milhões de euros). Os rockeiros Van Halen situam-se na terceira posição, com 36,8 milhões de dólares (23 milhões de euros).
Nota: a imagem que acompanha este concerto está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a ucumari.
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