O que é que acontece quando uma empresa da Internet não consegue tornar rentável um serviço de partilha de ficheiros? Quando o número de subscritores pagantes do serviço e a publicidade não rendem dinheiro suficiente? A dependência de servidores centralizados de partilha de ficheiros por parte dos utilizadores pode por vezes colocar os seus dados em risco, muito mais do que no caso do recurso a uma verdadeira rede de P2P.
Vem isto a propósito do fecho de três serviços de partilha de ficheiros pessoais da AOL, na sua maior parte financiados por anúncios: Bluestring (site de partilha de imagens, música vídeos), AOL Photos (site de alojamento e partilha de fotos) e Xdrive (serviço generalista de partilha de ficheiros). A notícia foi dada pelo TechCrunch (via P2P Blog) que publicou um memorando interno enviado por Kevin Conroy, o vice-presidente executivo da divisão de produtos e marketing da AOL, aos funcionários da gigante da Internet. De acordo com Conroy,
Estes produtos de alojamentos de ficheiros destinados ao segmento dos consumidores não conquistaram um nível de adesão suficiente no mercado ou os níveis de monetização necessários para compensar os seus custos operacionais elevados (…) De modo a fazer crescer o negócio de alojamento online do XDrive teríamos que nos concentrar em obter receitas através de assinaturas e não tanto na monetização mediante o recurso a receitas publicitárias e esse modelo de negócio não se encontra na estratégia definida pela nossa companhia.
O executivo da AOL acrescenta ainda que é mais compensador e eficaz para uma rede social como a Bebo (bastante popular entre os adolescentes britânicos) integrar uma funcionalidade de partilha de ficheiros do que criar um serviço específico de raiz. Em média, os utilizadores do Bebo disponibilizam cerca de três milhões de imagens por dia.
Felizmente, os utilizadores do XDrive não vão ter grandes problemas em migrar para outras paragens já que os responsáveis do Box.net aproveitaram logo para oferecer ajuda. Caso contrário, eles teriam que fazer o download de todos os seus dados – nas contas grátis o limite de alojamento era de 5 GB – e voltar a fazer o upload. Agora imaginem se, por uma razão qualquer – problemas técnicos, complicações legais, etc. -, um serviço centralizado de partilha de ficheiros como o Rapidshare é obrigado a suspender temporariamente ou mesmo definitivamente a sua actividade. É caso para pelo menos pensar sempre duas vezes antes de fazer o upload de ficheiros para serviços centralizados.
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