
Durante o fim-de-semana referi aqui alguns rumores que davam conta de que a caça da polícia da localidade britânica de Cleveland aos antigos ex-utilizadores do Oink já tinha começado. Com efeito, ontem as autoridades confirmaram essa informação ao TorrentFreak. De momento, apenas os britânicos que fizeram uploads de álbuns inéditos têm motivo para se preocupar.
Até ao momento, foram detidos seis antigos membros do tracker privado de BitTorrent especializado em música. Três das detenções ocorreram na sexta-feira, dia 23 de Maio e três outras na passada quarta-feira, 28 de Maio. Entre os detidos encontram-se cinco indivíduos do sexo masculino com idades compreendidas entre os 19 e os 33 anos e uma mulher de 28 anos.
Depois de terem sido sujeitos a interrrogatórios, a polícia tirou-lhes as impressões digitais bem como amostras de ADN, tendo sido em seguida libertados sob fiança. Estes antigos utilizadores do Oink foram alegadamente detidos por suspeita de “conspiração de defraudar a indústria musical”. No entanto, a verdade é que o Reino Unido não possui quaisquer leis específicas que diferenciem a violação dos direitos de autor de obras ainda não comercialmente disponíveis nas lojas das que já foram oficialmente lançadas.
Num artigo anterior, o TorrentFreak tinha já dado conta de que a maioria dos detidos afirmou não conhecia pessoalmente Alan Ellis, o proprietário e administrador do site. Até hoje, Ellis ainda não foi formalmente acusado de nada, tendo a data da sua fiança sido sucessivamente alargada. Agora, o prazo-limite está marcado para 1 de Julho.
Num comunicado enviado ao The Register, a BPI – associação que representa os interesses das maiores companhias discográficas no Reino Unido – aproveitou para fazer passar mais uma vez a sua mensagem propagandística:
A BPI e a IFPI colaboraram com a polícia no sentido de encerrar o tracker OiNK no passado mês de Outubro. A distribuição ilegal de música online, em particular de música inédita, representa elevados prejuízos financeiros e o OiNK era a maior fonte de pre-releases até ao momento em que nós o fechámos. Nós disponibilizamos a informação necessária para auxiliar esta investigação mas isto é actualmente um assunto de polícia e não podemos por enquanto prestar mais declarações.
Mas esta perseguição por parte da indústria discográfica a meia-dúzia de fãs de música que apenas partilharam alguns discos através do OiNK ignora o essencial: é que o ponto de origem das “fugas” de discos ainda por lançar não está nos sites de BitTorrent como o OiNK que apenas se limitam a distribuir aos utilizadores comuns as novidades que ainda não chegaram às lojas mas sim em servidores FTP ultra-seguros e privados que fazem parte da scene. Mais importante ainda, a BPI e a IFPI continuam a “esquecer-se” deliberadamente de que quem disponibiliza essas leaks são elementos ligados às próprias editoras. Contudo, quem acaba por pagar as favas são os próprios consumidores de música.
Para além disso, longe de ter contribuído para resolver o problema, o fim do OiNK apenas contribuíu para dificultar mais a vida das editoras que viram o seu trabalho de controlo de danos das “fugas” aumentar exponencialmente com o surgimento de várias alternativas igualmente grátis de sites de BitTorrent.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui.
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