P2P legal de música sem DRM no Reino Unido até ao final do ano

by Miguel Caetano on 26 de Junho de 2008

Ao contrário do que pareciam indicar as recentes declarações de alguns responsáveis pela indústria discográfica britânica, tudo indica que as negociações actualmente em curso entre editoras e fornecedores de acesso à Internet não caminham no sentido da implementação de medidas repressivas iguais às que a França se prepara para adoptar.

Muito pelo contrário, ambas as partes estão a discutir a possibilidade de serviços legais de subscrição de música a incluir nas ofertas comerciais de acesso à Internet em banda larga por parte dos ISPs. Segundo Andrew Orlowski do The Register, os primeiros destes serviços deverão começar a aparecer no Reino Unido ainda antes do final do ano ou, na pior das hipóteses, durante o primeiro trimestre de 2009.

De acordo com Orlowski, os fãs de música vão poder descarregar e partilhar os títulos entre si, ao contrário do que acontece com a maioria dos serviços de assinatura actualmente existentes onde a partilha dos ficheiros entre assinantes é desincentivada (eMusic) ou mesmo impossibilitada mediante recurso a medidas tecnológicas anti-cópia como a DRM (Napster, Rhapsody, etc.).

Apesar de ainda não terem sido assinados quaisquer acordos, estes novos serviços de música – cujo preço será determinado por cada ISP – irão monitorizar o número de transferências de músicas dentro de cada rede mediante recurso a tecnologia não intrusiva, muito possivelmente marcas de água digitais. O dinheiro recolhido será distribuído entre os detentores de direitos de acordo com a popularidade das suas obras. Em troca, estes terão que suspender o direito exclusivo à cópia do disco. Apesar dos avanços nas discussões, falta ainda no entanto resolver vários detalhes, nomeadamente a fórmula exacta de divisão do montante total recolhido entre os detentores dos direitos de reprodução mecânica de música e os de edição.

À primeira vista, parece-me que este modelo é bastante semelhante ao adoptado pelo Soribada na Coreia do Sul. Tendo em conta a situação periclitante em que as editoras discográficas se encontram um pouco por todo o mundo, não é de estranhar que comecemos a assistir ao lançamento de mais serviços legais de P2P um pouco por todo o mundo. Aliás, os dados confirmam que os partilhadores estão dispostos a pagar por um serviço legal de partilha de ficheiros: cerca de 80 por cento de acordo com um estudo da Universidade de Hertfordshire encomendado pela British Music Rights.

Desengane-se quem pense que este tipo de tarifa plana irá acabar com as vendas de CDs e discos em vinil. Muitos fãs de música – os maiores clientes da indústria – continuam a comprar discos apesar de já terem actualmente acesso gratuito, embora ilegal e inseguro, a toda a música do mundo. Uma boa parte deles são utilizadores de redes P2P mas consideram que a música digital não oferece a mesma experiência e qualidade sonora que os formatos tradicionais.

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