Ao contrário do que pareciam indicar as recentes declarações de alguns responsáveis pela indústria discográfica britânica, tudo indica que as negociações actualmente em curso entre editoras e fornecedores de acesso à Internet não caminham no sentido da implementação de medidas repressivas iguais às que a França se prepara para adoptar.
Muito pelo contrário, ambas as partes estão a discutir a possibilidade de serviços legais de subscrição de música a incluir nas ofertas comerciais de acesso à Internet em banda larga por parte dos ISPs. Segundo Andrew Orlowski do The Register, os primeiros destes serviços deverão começar a aparecer no Reino Unido ainda antes do final do ano ou, na pior das hipóteses, durante o primeiro trimestre de 2009.
De acordo com Orlowski, os fãs de música vão poder descarregar e partilhar os títulos entre si, ao contrário do que acontece com a maioria dos serviços de assinatura actualmente existentes onde a partilha dos ficheiros entre assinantes é desincentivada (eMusic) ou mesmo impossibilitada mediante recurso a medidas tecnológicas anti-cópia como a DRM (Napster, Rhapsody, etc.).
Apesar de ainda não terem sido assinados quaisquer acordos, estes novos serviços de música – cujo preço será determinado por cada ISP – irão monitorizar o número de transferências de músicas dentro de cada rede mediante recurso a tecnologia não intrusiva, muito possivelmente marcas de água digitais. O dinheiro recolhido será distribuído entre os detentores de direitos de acordo com a popularidade das suas obras. Em troca, estes terão que suspender o direito exclusivo à cópia do disco. Apesar dos avanços nas discussões, falta ainda no entanto resolver vários detalhes, nomeadamente a fórmula exacta de divisão do montante total recolhido entre os detentores dos direitos de reprodução mecânica de música e os de edição.
À primeira vista, parece-me que este modelo é bastante semelhante ao adoptado pelo Soribada na Coreia do Sul. Tendo em conta a situação periclitante em que as editoras discográficas se encontram um pouco por todo o mundo, não é de estranhar que comecemos a assistir ao lançamento de mais serviços legais de P2P um pouco por todo o mundo. Aliás, os dados confirmam que os partilhadores estão dispostos a pagar por um serviço legal de partilha de ficheiros: cerca de 80 por cento de acordo com um estudo da Universidade de Hertfordshire encomendado pela British Music Rights.
Desengane-se quem pense que este tipo de tarifa plana irá acabar com as vendas de CDs e discos em vinil. Muitos fãs de música – os maiores clientes da indústria – continuam a comprar discos apesar de já terem actualmente acesso gratuito, embora ilegal e inseguro, a toda a música do mundo. Uma boa parte deles são utilizadores de redes P2P mas consideram que a música digital não oferece a mesma experiência e qualidade sonora que os formatos tradicionais.
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