
Prince não gosta mesmo nada de perder o controlo sob as suas músicas e tem a mania de atacar legalmente tudo e todos que as disponibilizem na Web sem a sua autorização, incluindo os seus próprios fãs. Um dos alvos de estimação preferidos do artista tem sido o Youtube.
Depois de em Julho passado a sua editora ter exigido que um vídeo de 29 segundos com um bebé de 13 meses a dançar ao som de “Let’s Go Crazy” fosse removido, em Setembro o músico decidiu mesmo instaurar um processo contra o site de partilha de vídeos, em conjunto com o Pirate Bay e a eBay por facilitarem a violação dos seus direitos de autor. De modo a ajudá-lo a remover os vídeos e outros conteúdos ilegais, Prince recrutou os serviços da empresa britânica de antipirataria WebSheriff.
O mais recente episódio da cruzada do artista contra a YouTube diz respeito a um vídeo de uma versão de “Creep” dos Radiohead que Prince interpretou durante o festival Coachella (Estados Unidos), a 26 de Abril. Segundo a Associated Press (via Ouve-se), a editora do artista NPG Records ordenou que esses clips disponibilizados no site por uma série de fãs fossem removidos, dizendo tratarem-se de infracções aos seus direitos de autor.
Quando o guitarrista dos Radiohead Ed O’Brien contou esta história a Thom Yorke, o vocalista da banda riu-se e mandou O’Brien dizer a Prince que desbloqueasse a música, uma vez que esta lhes pertencia. Mas será mesmo assim? A verdade é que em termos legais, tanto os Radiohead como Prince possuíam o direito de remover os vídeos em questão. A banda usufrui do direito de autor relativo à composição da música. O artista possui o direito conexo relativo à interpretação pública da obra.
No entanto, uma coisa é a legalidade de uma acção, outra muito diferente é a sua legitimidade. E nesse aspecto não me parece que faça muito sentido para um artista implicar com fãs que apenas utilizaram o Youtube como meio de distribuição para partilhar o vídeo com outros fãs. Aliás, antes de tudo Prince deveria ter pedido as autorizações necessárias junto dos detentores de direitos para cantar uma versão da música dos Radiohead.
Seja como for, o que é facto é que continuam a circular no Youtube pelo menos dois vídeos da polémica versão. Quem quiser pode também encontrá-la no DailyMotion. Que isto sirva de lição para Prince: é impossível controlar a Internet, muito menos um artista que conta apenas com o auxílio de um xerife incompetente.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a Jessica DeWinter.
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O homem é incrível
Não percebo é qual é o objectivo. Será que é ele ou a malta que trata das coisas dele?