
A relação conturbada das grandes editoras discográficas com a tecnologia digital não é de agora nem teve sequer o seu início com o surgimento do Napster em 1999. Na verdade, apesar da incapacidade das majors para se adaptarem ao ecossistema digital se ter tornado mais notória com a massificação das redes P2P a sucessão de fracassos começou com o investimento de somas avultadas na promoção do formato CD-ROM e de sites carregados de animações Flash concebidos apenas para impressionar a vista e pouco mais.
O resultado foi um enorme desperdício de dinheiro em produtos estáticos que em vez de terem em conta os interesses dos fãs de música acabaram por os alienar. Quem o refere é Paul Sanders num artigo publicado no The Register onde enumera por ordem cronológica todos os flops pelos quais a indústria discográfica passou até hoje nas suas investidas pelo mundo digital. Sanders é o fundador da Playlouder MSP, um fornecedor de acesso à Internet sediado em Londres que oferece um serviço legal de downloads, streaming e partilha “ilimitada” de música juntamente com um serviço de acesso de banda larga.
Em Outubro passado referi aqui a Playlouder MSP a propósito de um estudo encomendado pela empresa à EMR em que a maioria dos inquiridos manifestou ser favorável ao seu serviço e que estava disposta a pagar 10 libras por mês por um serviço que oferecesse o acesso a toda a música que quisessem.
Neste artigo, Sanders traça o percurso acidentado das majors no sector digital: desde o leitor de MP3 Rio da Diamond até ao mito do negócio da música móvel, passando pelo SDMI, pelas primeiras lojas digitais criadas pelas editoras ou pelos serviços de subscrição, todos os grandes “tiros no pé” estão lá.
No entanto, o aspecto em que ele aproveita para bater mais é o da música financiada por publicidade, a actual next big thing na perspectiva de muitos executivos da indústria. Um inquérito da Accenture aos gestores de topo das empresas de conteúdos indicou que cerca de dois terços acreditavam que a publicidade será capaz de rentabilizar a produção de conteúdos. Em 2007, apenas 50 por cento eram dessa opinião.
O que eles se esqueçem é que isso é muito difícil. Nas contas de Sanders, seriam necessárias 500 ou mil impressões (streams ou downloads) para um site gerar o mesmo nível de receitas do que uma faixa vendida à unidade. No entanto, a indústria discográfica continua alegremente a desperdiçar dinheiro em sites que não possuem qualquer modelo de negócio…
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a rick.
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