Shareaza anuncia nova versão e contra-ataca impostores

by Miguel Caetano on 13 de Maio de 2008

Shareaza

Embora o Shareaza nunca tenha sido muito popular junto dos utilizadores portugueses ou brasileiros, penso que foi uma das maiores aplicações de partilha de ficheiros jamais desenvolvidas para o Windows – com a vantagem de estar disponível segundo uma licença de software livre GPL.

O Shareaza começou por ser uma aplicação apenas compatível com a rede Gnutella. Com o tempo, o seu programador Micheal Stokes acrescentou o suporte para a rede eDonkey e introduziu o Gnutella2 uma versão modificada do protocolo Gnutella. Essa apropriação do nome fez com que muitos elementos da comunidade de P2P se tenham afastado do projecto. Mais recentemente, foi também implementado o suporte para BitTorrent.

No sábado, a equipa actual de programadores do Shareaza aproveitou para divulgar através do TorrentFreak que começou a trabalhar numa nova versão do seu cliente de P2P que irá integrar uma nova implementação do protocolo de BitTorrent. Em lugar do seu próprio código (que, como nota o Janko Roettgers no P2P Blog, nunca funcionou lá muito bem – o que fez com que a aplicação fosse banida por vários trackers privados), o Shareaza 3.0 irá recorrer às bibliotecas libtorrent. Para além disso, a infra-estrutura de desenvolvimento passará a ser a QT 4.

Quanto à apropriação do nome de domínio e marca registada Shareaza.com ocorrida no final do ano passado, a equipa do Shareaza divulgou que pretende avançar para os tribunais contra a Discordia Ltd., uma empresa detida pela Music Lab  – a mesma firma por detrás do cliente e serviço de subscrição iMesh/BearShare – lançado com o beneplácito da RIAA. Quem for neste momento a Shareaza.com poderá pressupor que a aplicação disponibilizada se trata do verdadeiro Shareaza mas na verdade não passa de um “disfarce” do iMesh.

Para fazer face ao pedido de concessão de marca registada apresentado em Janeiro pela Discordia, o Shareaza reuniu uma nova equipa legal que conta com o apoio da Electronic Frontier Foundation, Richard Stallman e o Software Freedom Law Centre. Até ao momento, os programadores já conseguiram recolher mais de quatro mil dólares em doações através de um fundo de defesa legal. Outro objectivo é recuperar o nome de domínio.

É claro que os cínicos que acusam os projectos de P2P de ajudar os utilizadores a “roubarem” músicas e filmes protegidos por direitos de autor poderão levantar o dedo em tom acusatório e dizer que o que aconteceu ao Shareaza não passa de uma forma de justiça invertida. Mas é preciso distinguir muito bem entre marca registada - isto é, o direito exclusivo por uma organização a elementos identificativos como nome, imagem e logotipo que servem para estabelecer uma relação de confiança com o utilizador -  e direitos de autor.

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1 Miguel de Oliveira 14 de Maio de 2008 às 11:06

“Essa apropriação do nome fez com que muitos elementos da comunidade de P2P se tenham afasto do projecto.”

Presumo que quiseses escrever afastado!

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2 Miguel de Oliveira 14 de Maio de 2008 às 11:06

E eu queria escrever quisesses!

Responder

3 Miguel Caetano 14 de Maio de 2008 às 11:56

Miguel,

obrigadão mesmo. Já corrigi :-)

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