
Até agora ainda só conhecíamos os números da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) relativos às vendas de música digital em 2007 que apontavam para um crescimento de 40 por cento, representando um volume total de 2,9 mil milhões de dólares face aos 2,1 mil milhões de dólares registados no ano anterior. Segundo a IFPI, as receitas globais da indústria tinham diminuído 10 por cento em 2007.
Através da Music Ally fiquei no entanto a saber que a organização representante dos interesses das maiores companhias discográficas do mundo lançou recentemente um quadro com as vendas globais de gravação de música registadas em 2007 que inclui não só os formatos físicos (CDs, LPs, cassetes, DVDs) e digiais (downloads online, toques para telemóveis e subscrições), mas também as vendas de direitos de execução pública (relativos a rádios, televisões, bares e discotecas).
E por mais que se tente colocar paninhos quentes (como a Music Ally faz ao descontar os direitos de execução pública), a verdade é que as vendas de música registaram uma descida de oito por cento no ano passado, situando-se agora nos 19,40 mil milhões de dólares (cerca de 12,5 mil milhões de euros).
De registar que apesar do Brasil ser o 12º maior mercado do mundo, com vendas na ordem dos 193 milhões de dólares (124 milhões de euros), no ano passado foi também o mercado onde a descida das vendas foi mais funda (25%). Isto apesar da apregoada subida de 185 por cento das receitas de música digital, de acordo com os dados da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD). Das duas uma: ou todos os brasileiros deixaram de comprar CDs ou então a ABPD baseia-se em indicadores bastante diferentes aos da IFPI.
A Espanha, por seu lado, também registou uma descida impressionante de 20 por cento. De resto, as descidas foram generalizadas. Dos 20 maiores mercados, apenas a África do Sul e a Índia subiram. O Japão teve um crescimento nulo. De realçar que o sector digital apresenta uma percentagem superior a 10 por cento no cômputo geral das vendas em apenas cinco desses 20 países: Coreia do Sul (61%), Estados Unidos (21%), Índia (17%), Japão (16%) e Canadá (11%). Em termos globais, os formatos físicos representam agora 82%, sendo o peso do digital de 15%. Por este andar, nem daqui a 20 anos os downloads irão representar metade das vendas. Ao mesmo tempo, vendem-se cada vez menos CDs. Quando é que a indústria decide de uma vez implementar modelos de subscrição que tenham realmente em conta a forma como os consumidores ouvem música?
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a myulbe.
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