Freenet vira Darknet

by Miguel Caetano on 11 de Maio de 2008

Freenet

Apesar de pouca gente a conhecer, a Freenet é uma das redes de partilha de ficheiros mais antigas que funciona como uma espécie de disco rígido virtual e descentralizado que permite todos possam publicar todo o tipo de conteúdos a partir de qualquer local do mundo, na medida em que foi concebida para fazer face a todas as formas de censura online. Na prática, funciona como um servidor proxy que impossibilita que governos ditatoriais ou patrões metediços identifiquem os activistas e funcionários que querem disponibilizar ou ter acesso a informação confidencial ou sensível.

A primeira versão surgiu em 2000 a partir de uma ideia de Ian Clarke e desde então tem estado em pernanente desenvolvimento. O projecto é totalmente open-source, o que quer dizer que qualquer um pode ter acesso ao seu código-fonte e corrigir bugs ou acrescentar melhorias.

Há poucos dias, foi lançada a versão 0.7 que resulta de um processo de desenvolvimento realizado ao longo dos últimos três anos. A última versão pública da aplicação, a 0.5, foi lançada em 2005. Por essa altura, os programadores por detrás do projecto aperceberam-se de que alguns dos utilizadores do Freenet em países que restringem a liberdade de expressão dos seus cidadãos (China) necessitam não só de ocultar das autoridades os conteúdos que disponibilziam na rede mas também que estão a usar aquela aplicação.

Daí que tenham optado por reescrever a aplicação de modo a incorporar a possibilidade da dede se comportar como uma darknet onde o utilizador pode limitar o acesso a um grupo de “amigos” em quem confiam. A nova versão promete também melhorias a nível da eficiência, usabilidade e segurança. Uma vez que o software é baseado em Java, ele é compatível com WIndows, Linux e Mac.

Arquivo de sites da Freenet

Apesar de algumas objecções colocadas em relação à adopção da topologia darknet e das builds anteriores a esta versão final não terem implementado a opção de nos ligarmos em modo opennet – isto é, através de desconhecidos -. a verdade é que agora isso já é possível. Se por um lado isso poderá comprometer a nossa segurança, por outro tem a vantagem de garantir de ser muito mais simples e fácil e de oferecer um maior anonimato. Para além desses dois modos, existe ainda um modo misto.

Na Freenet, toda a informação armazenada na rede é encriptada e permanece acessível mesmo quando o utilizador que fez o upload fica offline, desde que alguem o continue a descarregar. Isto deriva do facto dos dados se encontrarem repartidos pelos computadores dos utilizadores, tornando-se assim bastante díficil identificar ou destruir determinados ficheiros. Para tal, cada utilizador reserva um determinado espaço do seu disco rígido – no mínimo 1 GB, mas de preferência 10 GB.

Apesar dos avanços em termos de usabilidade que o projecto registou ao longo dos últimos anos, utilizar o Freenet para encontrar e descarregar conteúdos continua a ser um processo pouco intuitivo na medida em que ainda não existe uma funcionalidade de pesquisa directa. Em vez disso, existem sites indexadores de conteúdos chamados freesites que funcionam como uma espécie de directórios e contêm código HTML básico. Como se isso não bastasse a navegação é lenta. Mas quem está realmente interessado em partilhar e descarregar material comprometedor de todo o tipo (político, religioso, pedófilo, terrorista) de certeza que irá ali encontrar o que procura. Nesse sentido, é a verdadeira concretização do sonho de todos os anarcolibertários.

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