EMI poderá desfazer-se de divisão de discos

by Miguel Caetano on 31 de Maio de 2008

EMI à beira do precípio

Coitado de Guy Hands. A vida de um milionário dono de uma companhia discográfica não poderia ser pior neste momento: crise económica, descida continuada das vendas de discos, vedetas que decidem lançar álbuns sem a ajuda de etiquetas… Mas o director executivo da empresa de fundos de investimentos Terra Firma tem uma tarefa ainda mais complicada pelas mãos: Em Agosto do ano passado, ele comprou a EMI por qualquer coisa como 3,6 mil milhões de euros.

Desde então, ele tem sido atormentado por um fantasma tenebroso: uma dívida no valor de 4,9 mil milhões de dólares (3,16 mil milhões de euros) contraída ao banco Citigroup. Até agora, o Citigroup não conseguiu vender ou passar essa dívida a ninguém, como o próprio Hands confessou na sua carta trimestral enviada aos investidores da Terra Firma.

A situação está mesmo muito complicada para os lados da EMI. Num artigo publicado esta quinta-feira, o New York Post chega mesmo a citar fontes anónimas que afirmam que muitos executivos do banco já acreditam que será impossível vender a dívida da companhia discográfica. Isto apesar das medidas de redução de custos tomadas pela EMI no sentido de poupar 100 milhões de libras e que irão implicar milhares de despedimentos.

Face a esta barreira de obstáculos, começam a correr rumores de que Hands será obrigado a tomar uma decisão final. Segundo uma notícia do jornal britânico The Evening Standard publicada pelo The Daily Swarm, “o magnata está aberto a ofertas no sentindo de dividir a empresa em duas, estando a considerar vender a divisão de gravação de música”. Deste modo, Hands ficaria com a divisão de publishing (edição de música) da EMI que, como ele próprio refere na carta, tem registado um crescimento das receitas.

Parece-me que os conselhos de Ian Rogers (ex-Yahoo Music) não serão suficientes para salvar a EMI do abismo. Será que o mercado do disco se irá concentrar ainda mais a ponto de apenas ficarem a sobrar três grandes companhias discográficas (Warner Music, Universal Music e Sony BMG). Convém lembrar que a Warner já tentou por diversas vezes “engolir” a EMI.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e pertence a Peter Barr-Watson.

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EMI contrata homem das limpezas para director executivo da divisão de discos | Remixtures
8 de Julho de 2008 às 21:09

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