
9,4 milhões de brasileiros a descarregar constantemente dia e noite, 24/7 músicas, filmes e séries de televisão é obra. São quase tantos como o número da população portuguesa. Mas esse é o número a que a Ibope//NetRatings registou em Março, de acordo com a peça do Guilherme Felitti no IDG Now!. Os dados foram recolhidos através de um software proprietário instalado nos PCs de um painel de utilizadores representativos dos internautas brasileiros. Em Março de 2007, eram cinco milhões.
No período de um ano, o número de “partilhadores” brasileiros aumentou para quase o dobro. Neste momento, eles já constituem 41,4% da população total de internautas no Brasil. Apesar do estudo da joint-venture entre o Instituto de estudos de opinião Ibope e a Nielsen//NetRatings não analisar a quantidade de discos, filmes ou séries descarregados ele tem pelo menos a vantagem de abranger não só as redes de P2P mas também os sites de alojamento de ficheiros como o RapidShare, o que é algo pouco habitual nestes estudos.
Deste modo, verificamos que o eMule continua a ser o meio mais popular para os brasileiros descarregarem conteúdos, com 17,2% de quota de mercado. A cinco pontos percentuais de distância vem o Rapidshare com 12,3%. Para além do eMule, os programas de P2P mais preferidos são o LimeWire, Ares Galaxy (a sério? Nunca dei muita atenção a ele; será que vale a pena usar?), Shareaza, K-Lite Nitro (aplicação multiprotocolo, “produto totalmente nacional), SoulSeek, BitComet e FrostWire. Então e o Azureus e o uTorrent, cadê eles? À excepção do BitComet, será que os brasileiros ainda não usam BitTorrent?
Uma prova de que os utilizadores das redes sociais nunca se irão contentar com o ecossistema “limpinho” baseado em streaming que as grandes editoras discográficas estão a tentar impingir no MySpace é que o Orkut, a maior rede social do Brasil – pertencente ao Google – são responsáveis por uma boa parte do tráfego dos serviços de alojamento de ficheiro. No caso do Rapishare, a percentagem foi de 30%. mas o Badongo e o Mediafire (28%), bem como o MegaUpload (26%) também beneficiaram dessa retroacção com as comunidades de fãs de artistas no Orkut. José Calazans, analista da Ibope Ratings, também menciona a importância dos blogs de RARs que disponibilizam links para pastas comprimidas mas não aponta dados em concreto.
Sinceramente não percebi muito bem o que o Calazans quis dizer no final do artigo mas creio que ele tentou estabelecer uma associação entre a elevada percentagem de internautas brasileiros “partilhadores” de conteúdos protegidos por direitos de autor com a ausência de alternativas legais no país para efectuar downloads de música e filmes como uma loja do iTunes – até hoje ainda não existe nenhuma no Brasil. Parece-me no entanto que traçar uma relação directa entre o número de lojas online e a percentagem de “partilhadores” entre a população internauta é um exercício um pouco arriscado. Não sei aliás, se os dados relativos a países como a Suécia ou a Dinamarca deitam por terra essa teoria.
Nota: esta imagem está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e foi tirada por *Brunna Peretti*.
Artigos relacionados:
- APCM (Brasil): 45 mil links apagados em 2008 contra quantos criados?
- Google Brasil censura comunidade do Orkut de partilha de links para discografias
- Demonoid inacessível no Brasil, entre outros países
- Pirataria: Canadá, Brasil e Espanha são os suspeitos do costume
- uTorrent, o cliente de BitTorrent preferido dos partilhadores



{ 4 trackbacks }
{ 7 comments… read them below or add one }
Olá, Miguel!
Sou do Brasil e utilizo a internet diáriamente para ouvir e baixar música e devo fazer isso há pelo menos 3 anos. Inicialmente eu utilizava bastante o eMule, porém com a facilidade de se encontrar discos completos em sites como Rapidshare e similares, parei de utilizá-lo.
Atualmente uso o Ares Galaxy para baixar músicas via P2P, porém somente quando preciso de um arquivo único e de música nacional. Para música internacional uso bastante o site Skreemr.
Depois eu escrevo mais, se for necessário. Abraço!
Tiago,
obrigadão por partilhares a tua experiência
Olá, sou do Brasil e posso dizer que usamos o Bittorrent sim! Principalmente para baixar seriados de TV!
Acho que posso garantir que existem mais pessoas a assistir Lost graças ao Bittorrent do que a TV tradicional. Hoje a noite tem episódio nos Estados Unidos e quando terminar, muitos estarão a esperar o link do torrent na comunidade do Orkut.
Realmente, somente com a possibilidade de baixar seriados recém exibidos nos EUA é que o uso do BitTorrent aqui no Brasil aumentou, mas ainda não chega perto do uso do eMule quando se fala de filmes. E todo mundo hoje usa comunidades do Orkut para baixar música, mas até pouco tempo muitos usavam o Kazaa.
O que vejo é que a maioria dos usuários brasileiros querem as discografias dos medalhões, ou aquela tal música que toca na novela das oito, ou a coletânea caça-níquel da vez, o que não difere dos outros países. Porém, a imensa busca por material nacional faz qualquer um fugir dos torrents. Basta conferir o número de ocorrências de Ivete Sangalo ou César Menotti & Fabiano em qualquer busca no torrentz ou mininova
Olá,
eu uso o bittorrent pra arquivos muito grandes (acima de 100mb). Na maioria, eu uso gerenciador de download ou procuro link direto mesmo. Mas eu posso dizer que o bittorrent é bem presente aqui no Brasil e muito utilizado
Eu so paro de fazer downloads quando um cd custar de 5-10 reais.. fora isso eu baixo mesmo!! E sem pena! hahahaha
Aqui no Brasil é absurdo o número de bons discos que estão "fora de catálogo", inacessíveis por meios normais. Quem quiser ouvir um disco destes, tem duas opções: ou ter paciência para ir até uma grande cidade e vasculhar sebos atrás do disco, geralmente vendido a peso de ouro, ou baixar na internet…