
Como se não bastassem as 1500 a 2000 “redundâncias” anunciadas em meados de Janeiro, a EMI pretende efectuar mais 1000 cortes de postos de trabalho, revelou ontem o jornal britânico Daily Telegraph que cita fontes confidenciais no seio da editora discográfica.
O objectivo de Guy Hands, o director executivo da Terra Firma – a empresa de fundos de investimento proprietária da EMI -, é reduzir o quadro de pessoal da companhia para 2000 até ao final do ano. Se tivermos em conta que esse número rondava os 4500 por altura da aquisição da EMI em Agosto do ano passado, podemos facilmente dar-nos conta da gravidade da situação.
Se boa parte dessa gente que foi descartada ou está prestes a ser descartada exercia actividades completamente inúteis ou eram totalmente incompetentes para a sua manutenção se justificar, a verdade é que com os despedimentos agora anunciados as hipóteses da EMI adaptar o seu modelo de negócio à era digital e ao mesmo tempo continuar a descobrir e a promover novos talentos vê-se assim seriamente comprometida.p>
Se como as fontes do Telegraph referem, Guy Hands está preocupado com a falta de eficiência e produtividade da EMI em comparação com a Warner Music e a Universal – a empresa tem mais funcionários que as suas concorrentes mas gera menos receitas -, a verdade é que a música não pode ser comparada a outros sectores produtivos onde a produtividade é o único lema. Neste domínio, a criatividade manda muito mais que a mera produtividade.
É claro que se deve combater o desperdício mas não a custo de ameaçar a capacidade de uma grande editora de descobrir novos talentos. E essa uma função que os executivos de A&R com anos de experiência sabem fazer melhor do que ninguém. Parece de facto que Guy Hands “prefere deixar a besta morrer à fome em vez da tornar mais forte”. como refere o Glenn Peoples do Coolfer.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e pertence a Peter Barr-Watson.
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