Teste demonstra que filtragem de P2P não funciona

by Miguel Caetano on 8 de Abril de 2008

Embora a indústria de entretenimento tente impingir aos ISPs de todo o mundo os filtros que impeçam a partilha ilegal de conteúdos protegidos por direitos de autor via P2P como a solução ideal para os problemas de ambos (“pirataria” de um lado e redução das despesas em largura de banda do outro), o que é verdade é que a eficácia dessas tecnologias deixa ainda muito a desejar.

Tanto é assim que um teste dos equipamentos de filtragem de P2P realizado pela publicação online Internet Evolution em conjunto com o Sindicato Nacional de Edição Fonográfica (SNEP), uma das organizações francesas que defende os interesses da indústria discográfica, apenas contou com a participação de cinco das 28 empresas responsáveis por essas soluções inicialmente contactadas pela organização.

Para cúmulo, três destas cinco recusaram-se a permitir a divulgação dos resultados. Que outra coisa quer isto dizer senão que a eficácia destas tecnologias é tão fraca que nem os seus fabricantes se atrevem a colocá-las à prova de um painel independente?

As únicas duas companhias que aceitaram foram a norte-americana Arbor/Ellacoya e a alemã Ipoque. O que talvez não seja mera coincidência, se tivermos em conta que os resultados do desempenho dos equipamentos desses fabricantes foram os únicos que conseguiram detectar e controlar o tráfego relativo à maioria do tráfego de P2P, atingindo taxas de detecção em tráfego não encriptado quase sempre superiores a 80 por cento. Já no que se refere ao tráfego encriptado, as coisas não correram tão bem.

Contudo, o principal ponto fraco deste estudo é, como refere o DSL Reports, o facto de não haver qualquer esforço no sentido de diferenciar entre transferências de P2P de conteúdos ilegais e legais. Afinal de contas, esta é que é a principal questão. Os protocolos de P2P como o BitTorrent têm muitas utilizações legais (exemplo: distribuição de música livre por netlabels ou de software livre) e não se pode pura e simplesmente bloquear um protocolo apenas porque ele é usado para fins ilegais. Este comportamento é perfeitamente ilógico e irracional. Na prática, é o mesmo que bloquear as ligações telefónicas apenas porque alguns clientes utilizam os seus telefones para combinar assaltos e sequestros.

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