RIAA: Receitas do mercado discográfico nos EUA descem 12% em 2007

by Miguel Caetano on 28 de Abril de 2008

Custou mas foi: a RIAA, a Associação da Indústria Discográfica Norte-Americana, publicou finalmente os seus números oficiais relativos às vendas de música nos Estados Unidos em 2007, como informa o Coolfer. Por este andar, quase que só sabíamos da desgraça no final de 2008. E de facto, trata-se mesmo de uma desgraça, uma vez que não há nada que possa disfarçar a descida de 11,8% no valor total das receitas de música em suporte digital e físico: de 11,75 para 10,37 mil milhões de dólares (ou seja, de 7,5 para 6,6 mil milhões de euros).

No entanto, essa descida contrasta com a subida de 11,6 por cento no número total de unidades vendidas (incluindo álbuns e singles e excluindo serviços de subscrição). O mais provável é que esse crescimento esteja associado à subida sustentada do sector digital, em particular os downloads de singles através do iTunes.

No total, o sector digital (onde a RIAA inclui os master ringtones, ringback tones, videoclips, descarregamentos integrais online e via telemóvel) já representam 23% das receitas geradas pelas gravações de música, sendo que em 2006 essa percentagemtinha sido de 16,1%. Em 2005 era apenas de 9%.

É claro que a esta subida não é alheia a descida retumbante das vendas de CDs que continuaram a sua espiral vertiginosa de declínio: enquanto o número de unidades vendidas desceu 17,7% para 511,1 milhões, as receitas diminuíram 20,5 por cento, situando-se agora nos 7,45 mil milhões de dólares (cerca de 4,8 mil milhões de euros). Um dado surpreendente (ou nem tanto): as vendas de discos em vinil (LP/EP) aumentaram 36,6% em termos de unidades e 46,2% em termos de receitas. Nada mau, hein?

Apesar das vendas de música móvel terem registado um aumento de 14,6% em termos de unidades, esta subida foi bastante inferior aos ganhos de 85,3% registados em 2006. Aliás, também a subida dos downloads pagos em lojas como a do iTunes foi mais lenta (38,1%) do que a que ocorreu em 2006 (59,8%). Significa isto que as vendas de música à unidade caminham a passos largos para uma estagnação? No seu conjunto, estes números não são surpreendentes mas de qualquer forma demonstram que é preciso que a RIAA altere radicalmente a sua posição e deixe de processar os seus antigos clientes. Caso contrário, corre seriamente o risco de perder os que ainda lhe restam.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a cnraether.

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digacultura.net
28 de Abril de 2008 às 18:48

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