Parlamento Europeu rejeita resposta gradual contra utilizadores de P2P

by Miguel Caetano on 11 de Abril de 2008

Guy Bono

Foi por uma escassa diferença de votos, mas os eurodeputados tiveram o bom senso de adoptarem ontem uma emenda (documento Word) ao relatório Guy Bono sobre as indústrias culturais na Europa por 314 votos a favor e 297 votos contra. A emenda apela aos Estados-membros que não tomem medidas drásticas contra a partilha de ficheiros como o corte do acesso à Internet dos utilizadores, opondo-se assim directamente às medidas nesse sentido que têm vindo a ser propostas na França e no Reino Unido.

Segundo o texto da emenda redigido pelos deputados do Parlamento Europeu Christofer Fjellner e Michel Rocard, estas medidas de repressão e vigilância “vão contra os direitos humanos e cívicos e contrariam os princípios da proporcionalidade, da eficácia e do efeito dissuasor, como o corte do acesso à Internet.” Para além, disso o documento faz questão em definir a Internet como sendo “uma vasta plataforma de expressão cultural, de acesso ao conhecimento e de participação democrática na criatividade europeia, que estabelece pontes entre as gerações na sociedade da informação.”

Na quarta-feira passada, Guy Bono tinha-se recusado a criminalizar os consumidores que não pretendiam obter lucros com o seu comportamento, tendo ainda aproveitado para criticar severamente “a posição de certos Estados-membros em que as medidas repressivas são medidas ditadas por indústrias que foram incapazes de alterar o seu modelo económico face às necessidades impostas pela sociedade da informação.” Na sua opinião, “o corte do acesso à Internet é uma medida desproporcional tendo em conta os objectivos pretendidos. É uma sanção com efeitos poderosos que poderão ter graves repercussões numa sociedade onde o acesso à Internet é uma condição necessária para a inclusão social.”

Como a porta-voz do Parlamento Europeu Malene Folke Chaucheprat refere num comunicado, esta votação “demonstra que os eurodeputados querem chegar a um equílibrio entre os interesses dos detentores de direitos e os dos consumidores e que grandes medidas como o corte da ligação à Internet não deviam ser empregues.

Apesar da votação de ontem não ser legalmente vinculativo – o que quer dizer que os Estados-membro poderão avançar à mesma com as suas próprias propostas -, representa pelo menos um sinal claro por parte dos eurodeputados de que os ISPs não devem funcionar como os polícias das editoras discográficas e produtoras de cinema. C

Como seria de esperar, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) não perdeu tempo a emitir um comunicado onde refere que “foi adoptada uma emenda mal redigida e elaborada à pressa que está em contradição com o resto do texto”. A falácia da IFPI é que ela parte do pressuposto que a referência à necessidade de proteger os conteúdos criativos não é sinónimo de banir os utilizadores de redes de partilha de ficheiros da Internet.

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1 O Salgador da Pátria 11 de Abril de 2008 às 11:49

Grande Guy Bono! Se ele fosse português votava nele! Mas há um argumento extraordinário que chocou algumas cabeças quando foi exposto o ano passado pelo primeiro-ministro romeno Popescu-Tăriceanu: a pirataria é um dos maiores motores de desenvolvimento dos países pobres e de convergência, no que à literacia tecnológica diz respeito, face aos países mais ricos. Milhões de estudantes formam-se todos os anos em áreas tecnológicas graças à pirataria de software. Comprando nunca o conseguiriam… Não estou a incentivar a pirataria, tal como Popescu-Tăriceanu também não o fez; apenas é a verdade pura e crua dos factos e é bom que a UE pense nisto agora que nos alargamos a países em vias de desenvolvimento.

2 Mind Booster Noori 11 de Abril de 2008 às 17:28

É bom ver o trabalho do DRM-PT e da ANSOL começar a dar frutos neste campo :-)

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