O poder avassalador do iTunes

by Miguel Caetano on 7 de Abril de 2008

Há pouco mais de um mês dei aqui conta de que a loja online do iTunes tinha ultrapassado a cadeia de superfícies comerciais Best Buy para passar a ser o segundo maior retalhista de música nos Estados Unidos em termos de vendas, apenas atrás da Wal-Mart.

Na quarta-feira passada, a Ars Technica divulgou os resultados da mais recente edição do estudo MusicWatch do NPD Group relativa ao mês de Janeiro que davam conta de que a Apple tinha finalmente roubado o lugar cimeiro à Wal-Mart. Dado que a notícia se baseava num email interno enviado pela Apple aos seus empregados começaram a surgir especulações de que tudo não passava de uma invenção. Mas esses rumores foram rapidamente desmentidos quando no dia seguinte a Apple confirmou oficialmente os dados.

De acordo com a peça da Ars Technica, as estatísticas do NPD indicam que a iTunes possui actualmente uma quota de mercado de 19 por cento, seguido pela Wal-Mart, cujas vendas físicas nas lojas e digitais na Web combinadas representam 15 por cento do mercado, ocupando a Best-Buy a terceira posição, com 13 por cento. Segundo a Apple, ao longo dos seus cinco anos de existência a loja do iTunes já vendeu mais de quatro mil milhões de faixas, possuindo actualmente mais de 50 milhões de clientes.

A grande falha nos estudos do NPD Group é que normalmente eles partem do princípio de que um álbum físico corresponde a 12 músicas em formato digital. Este indicador é, em minha opinião, menos transparente que o indicador do volume de total de receitas. O que é extraordinário aqui é o ritmo de transformação que o mercado da música sofreu nos Estados Unidos desde o dia em que o iTunes abriu, a 18 de Abril de 2003.

Isto significa muito más notícias para as editoras discográficas “tradicionais” uma vez que no iTunes as pessoas optam na esmagadora maioria dos casos por comprar apenas aquelas faixas que são realmente melhores no conjunto de temas incluídos no álbum em vez de comprarem o álbum completo.

Este poder da marca da maçã é igualmente comprovado por um outro estudo da Tempo Digital Music Brandscape que eu encontrei na Slyck e que mostra que o poder da marca – brand awareness – iTunes parece ter quaise esmagado os outros serviços de música online como o Napster, a loja da Wal-Mart, o Rhapsody, Yahoo Music e até mesmo o MySpace. Segundo o estudo, 82 por cento dos utilizadores de música online (tanto de serviços ilegais como legais) referiram conhecer o iTunes, contra 72 por cento que afirmaram o mesmo em relação ao Napster.

Mais importante do que isso é que o iTunes é cada vez mais considerado como a melhor loja de música online, tendo vindo a crescer sustentadamente ao longo dos últimos dois anos: 33 por cento no 2º trimestre de 2005, 41 por cento no 2º trimestre de 2006 e 50 por cento no segundo trimestre de 2007.

Embora os dados sejam já relativamente antigos (uma vez que foram recolhidos entre 10 e 17 de Setembro do ano passado, ainda antes do lançamento da loja online da Amazon) a distância que separa o iTunes de todas as outras ofertas de música apenas se deve ter aumentado de então para cá. Ou será mesmo assim? Afinal de contas, a Amazon conseguiu obter nos últimos meses um catálogo de mais de 4,5 milhões de faixas a preços mais baratos que os praticados pelo iTunes e todas em formato MP3 sem DRM. Ainda recentemente, a gigante de comércio electrónico foi considerada o segundo maior retalhista de música nos EUA. Na música online, como em tudo o resto, a concorrência é sempre o melhor remédio. É por isso que o mercado digital se tornou tão agitado nos últimos meses…

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível "http://www.flickr.com/photos/marcopako/2324748633/">aqui segundo uma licença "http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/deed.en">BY-SA 2.0 e pertence a M@rcopako

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