Sendo a Suécia um país onde a questão da partilha de ficheiros é um assunto de política nacional e onde até mesmo as editoras independentes são a favor de novos modelos de negócio que tirem partido da partilha de ficheiros, os resultados de um inquérito recente que indicam que a maioria dos músicos suecos já partilharam ilegalmente ficheiros de música não são algo por aí além.
O que desperta a atenção nesta sondagem realizada pelo jornal Sydsvenkan (via The Local) a 100 artistas suecos é a discrepância entre a percentagem dos que afirmaram ser favoráveis à legalização do P2P (38%) e os que declararam já ter descarregados músicas protegidas por direitos de autor (59%). Isto é, parece haver uma certa dissonância cognitiva entre os actos que os músicos realizam na sua vida privada e os posições que adoptam em teoria. No entanto, é bem verdade que 58 por cento dos inquiridos defenderam que o descarregamento de música devia continuar a ser uma actividade ilegal
Outro dado curioso é o conflito de gerações entre os mais velhos que já tinham uma carreira estabelecida antes do surgimento do P2P que atribuem uma diminuição das suas vendas na ordem dos 80 por cento à partilha de ficheiros – chegando mesmo ao ponto de dizer que o P2P não contribuiu em nada para gerar receitas de outros lados – e os mais novos, aqueles que cresceram com a Internet e que começaram a lançar discos e a dar concertos ao vivo após a criação do Napster.
Estes últimos são muito mais optimistas e consideram que a partilha de ficheiros ajudou em muito a sua carreira, enquanto veículo de promoção. De realçar contudo que alguns artistas mais velhos adiantaram que nunca fizeram muito dinheiro com a venda de música e que actualmente obtêm grande parte das suas receitas com a rádio, televisão e filmes.
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