Jovens britânicos recorrem à cópia offline de música como alternativa ao P2P

by Miguel Caetano on 9 de Abril de 2008

Feargal Sharkey

Que 95 por cento dos jovens britânicos entre os 18 e os 24 anos são “piratas”, isto é, já copiaram ilegalmente por via online ou offline música protegida por direitos de autor, não é um dado que me surpreenda. O que é mais surpreendentes nos resultados de um inquérito realizado pela British Music Rights, uma associação que defende os interesses dos compositores e editores de música, a 1158 pessoas, é o importância da cópia que ocorre offline, dado que 58 por cento dos inquiridos admitiram ter já copiado música directamente a partir do disco rígido de um amigo.

As conclusões do estudo foram recentemente apresentadas por Feargal Sharkey, o director executivo da BMI e antigo vocalista da banda pop punk Undertones ao jornal The Guardian. Outro dado interessante do estudo realizado em conjunto com a Universidade de Hertfordshire, dois terços dos inquiridos afirmaram copiar cerca de cinco CDs por mês dos seus amigos. E apesar de metade ter admitido que sabia que copiar música de um CD áudio para um CD-R é ilegal, isso não parecia ser um grande peso para a sua consciência.

O que também já se suspeitava mas até agora não tinha sido confirmado por nenhuma investigação académica é que quase metade das músicas que integram a colecção de um leitor de MP3 não foram adquiridas legalmente. De facto, eu até suspeitava que a percentagem fosse mais
elevada… Segundo o estudo, os britânicos entre os 18 e os 24 anos de idade mantêm uma colecção no valor de 750 libras de música por pagar nos seus iPods.

Como o Rasmus Fleischer refere no texto “Entre obras de arte e redes”, “a alternativa à pirataria peer-to-peer não é a inexistência de pirataria mas antes a pirataria pessoa-a-pessoa”. Muitas vezes a Internet é utilizada como um bode expiatório para todos os males da indústria discográfica mas o que é facto é que a cópia de música entre amigos já se tornou uma prática social instituída. E por mais que se queira, é impossível ir contra um costume. Mesmo antes dos CDs, era a coisa mais natural as pessoas fazerem gravações de discos inteiros para cassetes. A tecnologia digital apenas veio facilitar isso, mas se a Internet desaparecesse de um dia para o outro, a “pirataria” continuaria a ser bastante generalizada.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a Dubber.

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