ISP britânico implementa resposta gradual contra partilha ilegal

by Miguel Caetano on 1 de Abril de 2008

Felicidade garantida?

Eis um caso que demonstra que os operadores de Internet estão dispostos a tudo para evitar que o governo intervenha no seu negócio. A Virgin Media deverá ser o primeiro ISP britânico a implementar o sistema de resposta gradual que a BPI, a associação da indústria discográfica britânica tem vindo a tentar fazer com que o governo do Reino Unido adopte no sentido de impedir a partilha ilegal de conteúdos protegidos por direitos de autor.

Em Setembro passado, a Tiscali esteve para adoptar um esquema semelhante que levou mesmo a que quatro dos seus clientes vissem temporariamente a sua ligação à Internet cortada depois de terem ignorado os dois avisos iniciais. No entanto, o modelo acabou por falhar quando a BPI se recusou a pagar as despesas legais.

Mais recentemente, em Fevereiro passado o governo britânico publicou um relatório onde indicou que iria avançar com legislação no sentido de impedir os descarregamentos ilegais caso os operadores não chegassem a um acordo com os detentores de direitos até Abril de 2009.

Segundo indica o The Telegraph, parece que a indústria discográfica não teve que esperar tanto tempo uma vez que a Vigin Media, o maior ISP de banda larga doméstica, se prepara para testar um projecto-piloto de resposta gradual em colaboração com a BPI no sentido de bloquear o acesso aos seus clientes que partilharem música ilegalmente.

O teste deverá começar dentro de alguns meses e tanto a indústria cinematográfica como as produtoras de televisão poderão participar. Se o “pirata” reincidir após dois avisos ele poderá ver a sua ligação suspensa por um período ainda indeterminado.

Como é óbvio, a principal prejudicada com esta iniciativa deverá ser a própria Virgin Media, que irá concerteza perder grande parte dos seus clientes. Mas e se os outros ISPs se deixarem seduzir pela cantiga da indústria discográfica, como é que irá ser? E se alguém utilizar uma ligação Wifi de outro utilizador para descarregar músicas? Chegaremos a um ponto em que vamos beneficiar de ligações à Internet ultrarápidas e nem sequer poderemos compartilhá-las com os nossos vizinhos? E já agora, para quê ter uma ligação de 20 ou 40 MB se não podemos tirar partido dela?

A lógica dos detentores de direitos é completamente obsoleta e está apenas a prejudicar o desenvolvimento económico e cultural das sociedades. O valor está na rede mas esse valor só aumenta se as pessoas puderem partilhar, reapropriar e criar. Para além da publicidade, existem várias fontes de receitas a extrair do meio digital.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a Gene Hunt.

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1 Antonio Fernandes 1 de Abril de 2008 às 14:21

Miguel, como sabes vivo em Inglaterra. Por acaso nao uso a Virgin Media mas gostaria de saber melhor como esse “traffic shapping” pode tomar forma.. Significaria isto limitar o acesso a sites como o rapidshare, megaupload, etc ou estamos a falar de bloquear a partilha de torrents, ou o acesso ao emule e limewire?

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2 Miguel Caetano 1 de Abril de 2008 às 14:44

António,

neste caso não se trata de traffic shaping, mas sim da suspensão ou mesmo corte da ligação à Internet caso sejas apanhado pela BPI a descarregar material protegido por direitos de autor e eles entreguem o teu endereço IP à Virgin. No entanto, segundo a Billboard, a BPI já desmentiu a noticia do Telegraph…

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3 Antonio Fernandes 3 de Abril de 2008 às 0:53

Ok, ufa! POr enquanto tudo bem :)

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