Apesar do negócio da música ser um pouco arriscado demais para a carteira dos capitalistas de risco da Web 2.0 – sempre receosos de serem vítimas das técnicas de extorsão das quatro grandes companhias discográficas – existe ainda quem tenha a coragem de investir vários milhões em inúmeras startups espalhadas pelo mundo.
Um dos sectores que promete registar elevados níveis de crescimento é o da descoberta de música nova. Nem a propósito, uma das declarações que gerou mais impacto durante a Leadership Music Digital Summit que teve luga em Nashville, no estado norte-americano do Tennessee referiu-se justamente a esse respeito: “The next big thing is going to be music discovery”, afirmou Paul Santinelli da North Bridge Venture Partners citado pela Digital Music News. Essa opinião foi também partilhada por Chris Fralic da First Round Capital.
Quem não ficou nada convencido com essa frase bombástica foi Mark Cohen do Ad-Supported Music Central, segundo o qual basta que dois capitalistas de risco digam que a descoberta de música vai ser a next big thing para demonstrar o contrário. Bem, parece que ele não acreditou muito no que disse uma vez que teve que recorrer a uma série de dados para demonstrá-lo.
Estes estudos indicam que a rádio continua a ser o principal meio de encontro com música nova, não obstante o crescimento do digital – confirmando o que eu referi aqui. Cohen tira duas ilações destes dados: a primeira é que as pessoas não se dedicam deliberadamente a procurar por música nova, sendo pelo contrário algo que acontece por acaso, uma actividade casual derivada do contacto com a rádio ou a televisão. Ao partirem do pressuposto que os utilizadores procuram activamente por bandas que ainda não conhecem, os sites de descoberta de música nova acabam por cair numa armadilha fatal.
David Jennings do Net, Blogs and Rock’n'Roll relativiza um pouco as coisas e embora admita que isto se aplica à maioria das pessoas, acrescenta que existe um pequeno nicho de fãs de música que buscam intencionalmente por música nova. Dentro dessa minoria, existe uma minoria que exerce um grande poder de influência sobre os apreciadores de música comuns ao recomendarem activamente as pérolas que vão encontrando em blogs, fóruns de discussão ou conversas entre amigos.
Se é verdade que isto é pelo menos em parte assim, o que é facto é que o poder de influência desses “curadores” nunca ultrapassa um certo raio de alcance, dado que a esmagadora maioria das pessoas não liga muita importância à opinião desses provadores e apenas quer se sentir integrada nas suas redes sociais online e offline – isto é aliás a razão porque as pessoas que vão parar a esta morada quando procuram pelos tops das músicas se comportam como formigas que seguem o feromona deixado pelo Deus Google.
A outra conclusão a que Mark Cohen chega é a de que o serviço das estações de rádio comerciais pode ser comparado a uma oferta de música financiada por publicidade. Daí que ele faça depender o sucesso da descoberta online de música do sucesso do streaming de música financiado por publicidade. “Uma vez que os downloads de música oferecem uma experiência de utilizador superior ao streaming de rádio, considero que os downloads de música financiados por publicidade serão o veículo superior para a descoberta de música.”
Mas isto não contradiz completamente o que ele acabou de dizer, isto é, que a descoberta de música nova acontece por acidente? Então qual é a utilidade de incluir uma funcionalidade de recomendação de música num site de downloads grátis?
Seja como for, se como o Idolator refere a rádio – que é a principal fonte de descoberta de música nova – não está interessada em ajudar os seus ouvintes a cumprir essa tarefa, uma vez que se limita a passar uma playlist pré-formatada, é caso para perguntar que futuro nos reserva a música Pop.
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a reboque de mais um aniversário da “revolução de Abril”, apetece-me dizer que hoje em dia há “menos liberdade” que há 30 anos atrás. as playlists (para quem não sabe, a música que passa nas principais rádios nacionais é controlada – leia-se, “escolhida” – por meia-dúzia de pessoas) excluem desde há anos artistas de referência; já repararam, por exemplo, e ainda a propósito, que não se consegue ouvir na rádio portuguesa a música de Zeca Afonso?
vive-se actualmente, neste plano, um regime de absoluta ditadura.
mas estou confiante que as novas tecnologias irão trazer um novo fôlego à música que passa na rádio. chamem-lhe, uma esperança de Abril…
saudações
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