Surrge monetiza o word-of-mouth de música nova

by Miguel Caetano on 19 de Março de 2008

A ideia de recompensar os utilizadores que ajudam a distribuir e a promover as músicas dos artistas que gostam já não é nova e tem sido explorada no campo do P2P por serviços como o Grooveshark e o Bitmunk. O Surrge.com é o nome mais recente a acrescentar a esse nicho de distribuição viral, se bem que a sua estratégia de marketing word-of-mouth (passa-a-palavra) esteja mais direccionada para redes sociais e fóruns.

Surrge: um novo serviço de distribuição viral de música

Lançado este fim-de-semana durante o festival SXSW de Austin, no Texas, este serviço foi criado por dois irmãos de Boston, Jonathan e Justin Bingham que funciona como um misto de rede social e loja de música online, oferecendo aos artistas a possibilidade de fazerem upload das suas músicas em formato MP3 e receberem 60 por cento das vendas. Por seu lado, os fãs também podem ganhar dinheiro mediante recomendações das bandas que gostarem mais aos seus amigos.

Por cada vez que um utilizador comprar uma música com base numa recomendação, o fã que fez essa recomendação fica com 10 por cento do preço de venda. Se um desses olheiros ou scouts conseguir fazer com que uma banda nova se registe no Surrge, ele terá direito a um por cento das receitas geradas por essa banda através do site.

Mas a proposta dos fundadores da Surrge não se limita à venda de músicas em formato digital sem DRM, pois também prevê a organização de concertos ao vivo através de parcerias com salas de espectáculos e promotores de evento. Estes têm direito a receber 10 por cento das receitas obtidas com as vendas das gravações no site do Surrge. As estações de rádio que patrocinarem os concertos também terão direito a outros 10 por cento. Os artistas ficam com 60 por cento. O site prevê ainda a comercialização de produtos derivados como vídeos. Os artistas que alcançarem mais sucesso terão direito a horas de gravação num estúdio profissional, equipamento, material de marketing, etc.

Modelos de negócio para combater a “crise” do negócio da música não faltam. O que é preciso é vontade de apostar em ideias novas e colocar as mãos na massa. Depois não venham é com a cantiga habitual de que a partilha de ficheiros está a arruinar o negócio e que os novos artistas vão morrer à fome, que essa é uma desculpa que já não pega.

(via Billboard)

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