
Os sul-coreanos usufruem de uma das melhores ofertas de Internet de banda larga do mundo. Na Coreia do Sul, a maior parte das casas possuem ligações de 50 ou 100 Mbps e em Seul a velocidade deverá chegar dentro em breve a 1 Gbps. Essa facilidade no acesso à Rede permitiu com que se desenvolvessem vários serviços de partilha de ficheiros ao longo dos anos.
Um dos primeiros foi o Soribada, surgido em Maio de 2000, poucos meses depois do lançamento do Napster. Aliás, deve ter sido por isso e pelos seus 15 milhões de utilizadores registados (um terço da população da Coreia do Sul) que ele ficou conhecido como “o Napster da Coreia”. Como seria de prever, a IFPI não gostou lá muito da ideia de ter uma rede de P2P tão popular num país em que toda a gente tem Internet ultra-rápida e toca de processar.
Os dois co-fundadores do projecto resistiram até ao limite das suas forças. Mas em 2005 eles tiveram que fechar o serviço de P2P e transformar Soribada numa loja tradicional de downloads legais de música.
Contudo, em Julho de 2006, graças a acordos estabelecidos com editoras discográficas e outros detentores de direitos, a empresa conseguiu ressuscitar o seu serviço de P2P sob a forma de uma subscrição mensal com direito a downloads ilimitados de MP3 sem DRM. A mensalidade custa cerca de quatro mil wons (uns míseros 2,60 euros!!!). Actualmente, o serviço possui mais de 700 mil assinantes. Música sem DRM à fartazana a um preço irrisório!!.
Isto parece demasiado bom para ser verdade, mas é mesmo verdade. E não se trata só de música de desconhecidos. Segundo a Billboard, o Soribada possui acordos de licenciamento com quase todas as editoras locais, excepto a Seoul Records, propriedade do ISP SK Telecom. A Universal Music também já assinou e a empresa afirma que se encontra em negociações com EMI, Sony BMG e Warner Music.
De modo a proteger os direitos de autor e a repartir as receitas entre os artistas e editoras, a empresa utiliza uma tecnologia de impressão digital áudio (digital fingerprinting). Esta semana, a Soribada anunciou que o governo concedeu a sua aprovação ao serviço de P2P legal (via The Register). O que seria impensável há dois anos está aos poucos a tornar-se uma realidade. Só falta é mudar as mentalidades de certos espíritos mais avessos à mudança. Ah, e o melhor de tudo é que a Soribada quer alargar o seu serviço à América do Norte e à Europa.
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