
Depois de nos últimos meses a Comcast ter sido acusada pelo seus clientes e pela comunicação social de limitar a largura de banda disponível para protocolos de P2P como o BitTorrent e Gnutella – o que levou mesmo a FCC, a entidade reguladora do mercado de telecomunicações nos EUA, a iniciar um investigação – a operadora de Internet norte-americana cedeu finalmente à pressão e assinou ontem um acordo com a BitTorrent.com – a empresa, não o protocolo – segundo o qual o ISP se compromete a deixar de bloquear o tráfego de BitTorrent até ao final do ano e a colaborar com a companhia de Bram Cohen e Ashwin Navin de forma a implementarem formas mais eficazes de controlar o tráfego da sua rede.
A Comcast pretende assim deixar de reduzir a quantidade da sua largura de banda disponível em determinados protocolos para passar a reduzir a velocidade do tráfego de todos os seus utilizadores que usarem mais largura de banda, independentemente do programa ou protocolo que utilizarem. De qualquer modo, os utilizadores intensivos que descarregam filmes, séries de televisão ou distribuições do Linux vão continuar a ser prejudicados. isso coloca algumas questões quanto à transparência dos ISPs que anunciam determinadas velocidades e depois não cumprem com o prometido na publicidade…
Nas palavras de Ashwin Navin, o modelo de gestão de tráfego acordado por ambas as partes irá passar por uma solução agnóstica em termos de protocolo, com uma arquitectura de rede adaptada à distribuição de media (leia-se, vídeo). O presidente da companhia refere ainda que a Comcast pretende aumentar a capacidade total e em especial a do tráfego relativo aos uploads.
Por outro lado, a BitTorrent.com também se encontrar a desenvolver uma série de funcionalidades a serem integradas nos seus clientes (uTorrent e BitTorrent) como o protocolo de descoberta de cache de modo a facilitar a vida aos ISPs.
Outro ponto a salientar é que ambas as companhias se encontram a investigar uma nova arquitectura de rede que irá supostamente beneficiar os utilizadores de ambas, isto é, servidores especializados que irão permitir acelerar a velocidade de transferência de ficheiros em vez de a travar. Os resultados serão posteriormente disponibilizados publicamente para que outros ISPs e programadores independentes possam tirar partido deles.
Por enquanto ainda não se sabe o que sairá realmente daqui. Seja como for, as questões da neutralidade da rede endereçadas à FCC ainda continuam em cima da mesa, como faz questão de salientar a associação Public Knowledge.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a nrkbeta.
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