Billy Bragg quer receber uma parte do dinheiro que a AOL deu pelo Bebo

by Miguel Caetano on 24 de Março de 2008

Billy Bragg

Há pouco mais de uma semana, a AOL deu 850 milhões de dólares (550 milhões de dólares) pela Bebo, uma rede social fundada pelo casal Michael e Xochi Birch em 2005 que, de acordo com dados da ComScore de Janeiro deste ano, contou com 22.4 milhões de utilizadores, sendo o maior site do tipo no Reino Unido.

Mas tal como por altura da aquisição do YouTube pelo Google em Outubro de 2006 por 1,65 mil milhões de dólares (mil milhões de dólares), muito voltam a colocar a questão de quem lucra com os conteúdos gerados pelos utilizadores.que servem para aumentar o tráfego e valor de enormes conglomerados multimédia e pelo caminho a conta bancária dos criadores destes destinos online – estima-se que Michael Birch tenha amealhado 600 milhões de dólares com a compra do Bebo pela AOL…

Este fim-de-semana, o músico britânico Billy Bragg publicou um editorial no New York Times que coloca o dedo na ferida do ponto de vista dos artistas que disponibilizam livremente as suas músicas em redes sociais sem serem recompensados pelo que dão a ganhar aos outros. Anteriormente, Bragg tinha já criticado os termos de utilização do MySpace na medida em que estes concediam à News Corp. – empresa de Rupert Murdoch proprietária da rede social – o direito de reutilizar todas as músicas dos artistas para outros fins sem que estes fossem remunerados. Depois de ter ameaçado retirar as suas faixas do site, o MySpace cedeu e modificou as condições legais. Agora, Bragg voltou à carga:

Os músicos que colocaram as suas obras no Bebo.com não são menos que os investidores que apostam numa start-up. O seu investimento consiste no conteúdo diponibilizado livremento durante o período em que o site não possui activos líquidos. Agora que o negócio consegiu recolher benefícios gigantescos, eles merecem receber dividendos.

Embora Bragg conceda que os fundadores do Bebo tiveram pelo menos a decência de o consultar no sentido de criar um serviço de música que não explorasse os interesses dos artistas, ele acha-se intitulado a receber uma percentagem das receitas geradas pelo Bebo e pelo MySpace. Na sua opinião, tal como as rádios que promovem a música dos artistas pagam direitos de autor através de royalties também as redes sociais deviam pagar direitos de autor. 

Nesse sentido, Bragg não deixa de ter razão. Mas há que também acrescentar que ele foi muito ingénuo nas suas conversas com os Birch por se ter “esquecido” de referir a necessidade de os artistas serem recompensados. Ao contrário daqueles que pensam que a Internet é o reino da rebaldaria onde grandes empresas lucram com a contribuição de milhões de pessoas sem darem nada em troca, existem redes sociais destinadas à promoção de música como o ReverbNation, o Jamendo e o TramaVirtual que estabelecem um sistema de remuneração dos artistas.

O problema das redes sociais é que apenas as maiores e as mais populares atraem tráfego que serve para captar anunciantes e, por sua vez, despertar a atenção dos grandes conclomerados multimédia. Nesse aspecto, o MySpace, o Facebook e o Bebo ficam a ganhar. Por outro lado, se os utilizadores que também contribuem com os seus conteúdos são explorados, eles ganham outros incentivos não-monetários que são muitas vezes muito mais importantes. No caso dos músicos, trata-se da capacidade de estabelecer uma base suficientemente grande de fãs, de comunicar com essa base e de atrair público para os concertos. Quando os utilizadores chegarem à conclusão que esses incentivos já não são suficientes tendo em conta as desvantagens – perda de privacidade, publicidade e comercialização intrusiva, etc. – eles acabarão por demandar em massa para outras paragens mais aliciantes.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a Austin Tolin.

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1 Lucile 11 de Abril de 2008 às 13:26

Obrigada por falar do jamendo!

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