
Um mês depois da Amazon ter lançado a sua loja de MP3, já se previa que a Amazon viesse a curto prazo a roubar o segundo lugar à eMusic no que se refere às vendas de música online – isto em termos de receitas mas não de downloads. Num artigo recente, o USA Today deu como adquirido que a gigante de comércio electrónico já se tornou no segundo maior retalhista de música digital, apenas atrás do iTunes da Apple.
Tendo em conta que as majors optaram até agora por escolher o serviço de música da Amazon para dar início à venda de faixas sem DRM em deterimento do iTunes – que apenas conta até agora com o catálogo da EMI e de uma série de independentes num formato sem protecção, o dado não seria de admirar. Enquanto a Apple disponibiliza actualmente apenas dois milhões de faixas do seu catálogo de seis milhões de temas, a Amazon comercializa cerca de 4,5 milhões de músicas sem DRM.

No entanto, o jornal não adianta quaisquer números que fundamentem essa afirmação. Isto fez com que David Pakman, o director executivo da eMusic, escrevesse uma entrada no blog da sua empresa onde desmente que a Amazon tenha roubado o segundo posto à eMusic.
De acordo com o que Pakman averiguou junto do jornal, o USA Today baseou-se exclusivamente em informação adiantada por executivos das quatro majors que, como se sabe, para além do catálogo de algumas subsidiárias não disponibilizam música na loja da eMusic. Como refere Pakman:
Para além do iTunes, ninguém vende mais música em formato digital do que a eMusic e não tencionamos abdicar deste título tão cedo (…) a eMusic vende mais do que sete milhões de músicas por mês (…) Desde que a Amazon abriu a sua loja de MP3 a 25 de Setembro de 2007, a eMusic vendeu mais de 40 milhões de temas. Desde Novembro de 2003, vendemos mais de 200 milhões de faixas.
O problema é que, como referem o Hypebot e o Coolfer, o critério que o jornalista do USA Today empregou para chegar à conclusão de que a Amazon já era o 2º maior retalhista de música online não é o mesmo que o indicado pela eMusic. Se a eMusic vende mais downloads, o dinheiro que vai parar ao bolso das editoras por cada faixa comercializada através do seu serviço é menor do que através da loja de MP3 da Amazon. Enquanto esta paga 60 a 65 cêntimos por faixa, a eMusic limita-se a dar entre 25 a 30 cêntimos.
No mesmo artigo, o USA Today também dá a entender que o abandono da DRM por parte das quatro majors não contribuiu até agora em muito para fazer crescer as vendas nos EUA. Segundo a Nielsen SoundScan, venderam-se 239 milhões de músicas em 2008 até à data. No ano passado, por volta desta mesma altura, tinham sido comercializadas 189 milhões de músicas. Ou seja, o crescimento de 26 por cento nas vendas não é suficiente para compensar a descida das vendas de CDs. Daí que a indústria comece a falar com cada vez mais insistência noutros modelos de negócio baseados em assinaturas e publicidade.
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