Universal Music quer cobrar mais pelo acesso antecipado aos álbuns

by Miguel Caetano on 15 de Fevereiro de 2008

As editoras discográficas querem à força toda criar artificialmente escassez e fricção onde ela não existe e estão a ponderar seguir o exemplo dos Radiohead que vazaram o seu próprio álbum apenas dez dias depois dele ter sido concluído, tendo ainda aproveitado para ganhar um dinheirinho extra com o lançamento comercial do CD e da edição exclusiva em formato disc box.

A ideia avançada por Rob Wells, vice-presidente da Universal Music, durante uma conferência no Mobile World Congress de Barcelona consistiria numa política temporal de preços em que os consumidores pagariam mais pelo acesso a um álbum logo assim que ele estivesse concluído e muito antes dele estar comercialmente disponível ao grande público:

Se um artista acaba de gravar um álbum num estúdio, nós podíamos potencialmente distribuí-lo a um número limitado de utilizadores por um preço mais elevado. Isto é algo que nós estamos bastante interessados em desenvolver, através dos nossos próprios canais de B2C – os sites dos artistas.

A questão que se coloca é que não me parece que os fãs de música estão interessados em pagar um extra por algo que pode ser facilmente copiado. E fomentar este tipo de escassez artificial apenas irá contribuir para aumentar ainda mais o valor em termos de largura de banda das “fugas de discos” em trackers privados de BitTorrent – actualmente já de si os itens mais disputados pela comunidade. Aliás, o mais provável era que em vez da economia da dádiva que vigora actualmente no P2P se passasse para uma economia especulativa baseada no dinheiro. Porque ao contrário das aparências, as pessoas continuam a valorizar a música. Veja-se o mercado negro que surgiu nos últimos anos à volta da revenda de bilhetes para concertos.

Na mesma conferência, o executivo da Universal Music ainda aproveitou para dizer que a editora está apostada em implementar a tal jukebox celestial segundo a qual as pessoas terão acesso imediato a toda a música do mundo a partir de qualquer lugar, em qualquer dispositivo e a qualquer hora. Este tipo de oferta de música ilimitada é o que serviu de base ao plano Nokia Comes With Music, uma parceria com a fabricante finlandesa. Só que Wells esqueceu-se de referir as contra-indicações

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a ИoИ

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1 RD 15 de Fevereiro de 2008 às 14:15

Bolas; andam sempre a inventar…

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2 JLS 12 de Março de 2008 às 2:19

«A questão que se coloca é que não me parece que os fãs de música estão interessados em pagar um extra por algo que pode ser facilmente copiado.»

Os fãs não estão, sobretudo, interessados em pagar às editoras.

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