Ao contrário da IFPI, a RIAA é um pouco mais sofisticada e já compreendeu que obrigar os ISPs a filtrarem conteúdos protegidos por direitos de autor não lhe adiantaria de grande coisa, tendo em conta que o tráfego encriptado de P2P tende a aumentar cada vez mais. O resultado é que alguns ficheiros legítimos seriam bloqueados ao passo que outros ilegais acabariam por passar. Mas se fosse possível instalar um filtro nos próprios computadores dos utilizadores?
Pois foi precisamente esta a sugestão que por Cary Sherman, presidente da Associação da Indústria Discográfica Norte-americana (RIAA), deixou no ar durante a conferência State of the Net organizada pelo Comité Consultivo do Congresso Caucus que teve lugar em Washington, DC. (EUA) na semana passada.
Numa primeira hipótese, o sistema passaria por integrar uma espécie de spyware nos programas antivírus. Como é óbvio que os consumidores iriam rejeitar imediatamente todas as aplicações que incorporassem esse filtro que impedisse a reprodução de qualquer música descarregada ilegalmente e dado que os fabricantes de antivírus não gostam de perder clientes, Sherman avança ainda com outro método ainda mais radical.
E que tal chegar a acordo com as fabricantes de routers e modems de cabo e ADSL de modo a instalar o filtro nesse hardware. Caso isso não seja possível, Sherman propõe mesmo que a legislação seja alterada de modo a tornar os filtros obrigatórios ou fazer com que os ISPs exijam que os utilizadores os instalem para aceder à Internet.
“O que virá a seguir? Os nosso teclados vão electrocutar-nos quando descarregarmos a música errada?”, pergunta Alex Curtis do Public Policy no seu blog – de onde eu retirei o vídeo da sessão de perguntas e respostas ao presidente da RIAA.
Artigos relacionados:
- Congresso dos EUA aprova lei que obriga universidades a filtrarem conteúdos ilegais
- Filtros não conseguem identificar conteúdos ilegais em redes de P2P
- ISP belga Scarlet diz que filtrar conteúdos ilegais em redes P2P é uma missão impossível
- MPAA quer resposta gradual contra downloads ilegais na Itália
- ISP francês Free recusa-se a filtrar conteúdos ilegais


