
Decididamente, a Suécia é um país com uma mentalidade bastante progressista. Sete editoras independentes suecas uniram-se e criaram uma plataforma online de cooperação e discussão de alternativas para tirar partido da partilha de ficheiros. As editoras envolvidas são a Adrian Recordings, Flora & Fauna, Hybris, I Made This, Nomethod Records, Songs I Wish I Had Written e TenderVersion.
Em vez de irem atrás daqueles a que as grandes editoras apelidam de piratas, estas indies decidiram colaborar num objectivo comum. O resultado é The Swedish Model. As ideias que expressam no seu manifesto inicial são bastante razoáveis: os artistas devem receber dinheiro mas a Internet e a partilha de ficheiros não são o inimigo, podendo inclusive ser bastante úteis na promoção do trabalho de novos artistas. A única opção que resta às antigas estruturas de negócio baseadas no controlo da distribuição é adaptarem-se aos novos tempos:
Um Novo Modelo
Olá indústria da música, olá a todos vocês que necessitam diariamente de suportar um debate desigual sobre a distribuição da música e olá caros fãs de música.
O futuro da música enquanto forma de arte parece ser hoje mais radiante do que nunca. Deu-se uma democratização e as hipóteses dos músicos alcançarem as partes interessadas são actualmente muito mais elevadas quando comparamos com o que se passava há apenas alguns anos atrás. Acima de tudo, o interesse pela música cresceu bastante ao longo do último ano. Isto não se deveu a uma mera coincidência. A distribuição de música sofreu uma mudança de paradigma. O produto foi desvalorizado e passou a conceder-se mais atenção ao conteúdo.
Todos nós que pertencemos à indústria da música demonstrámos ser incapazes de aderir a esta mudança. Alguns de nós chegaram mesmo a entrar em guerra contra aqueles a quem a música se destina – os ouvintes. A cisão entre produtores e consumidores nunca foi tão grande. A nossa contemporaneidade não se encontra dividida em preto ou branco, prós ou contras. A verdade é que a Internet nos ofereceu mil e uma possibilidades de escolha! Em vez de ripostar, devíamos aprender algo com as indústrias dos jornais diários e dos videojogos. Desde muito cedo que eles se aperceberam da superioridade da Internet e aproveitaram para desenvolver novos serviços online. Os seus novos departamentos são hoje em dia aqueles que fazem com que as empresas avançem, sendo também aqueles onde esperamos que grande parte das receitas irão estar no futuro.
Sim, vocês leram bem. Nós gostamos dos nerds dos computadores que se dedicaram de alma e coração ao desenvolvimento dos protocolos que distribuem eficientemente a música que nós adoramos. Nós somos modernos, sabem? Nós não queremos ter recursos contra leis ou piratas. Nós queremos ter uma discussão criativa em relação ao modo como podemos melhorar os mecanismos de distribuição e como podemos melhorar ainda mais essa forma de arte conhecida por música.
É impossível dizer sim ou não à partilha de ficheiros. É algo que existe e não pode ser eliminado. Em vez de tentarem acabar com a partilha, sigam em frente e depositem a vossa energia em algo que contribua para o avanço da indústria. Não é possível travá-la – a força inerente às grandes transformações que são boas para o conjunto da humanidade é demasiado forte para que possam ser impedidas por leis e organizações representando interesses particulares. É isto. Parem de se lamuriar. Se são criativos e a música que fazem é boa, então sempre haverá espaço para vocês.
É triste quando os modelos de negócio estabelecidos entram em rotura. Contudo, eles acabam sempre por ser substituídos por novos modelos. Encontramos-nos neste momento no fim de uma época e no início de outra. É preciso deixar que a época do passado morra e que a nova floresça. Isso apenas poderá acontecer se aceitarmos as novas condições que a Internet gerou. E não há melhor altura do que esta para tentar novas ideias em vez de continuar agarrado às velhas.
Acreditamos na música e saudamos todas as novas formas de a difundir. Isto faz com que a nossa audiência aumente, o que no fim de contas faz com que tanto para nós como para os nossos artistas seja mais fácil receber uma compensação pelo trabalho realizado e aumenta as chance de difundir ainda mais a música de que nós gostamos. Convidamo-los a juntarem-se a nós e a contribuir para a discussão em vez de continuarem a cavar o buraco em que se estão a afundar.
O Modelo Sueco é uma nova plataforma de cooperação e discussão composta por sete editoras discográficas independentes suecas. Temos uma agenda comum. Queremos devolver a atenção para a música. Acreditamos no futuro. Estamos a fazer isto porque queremos publicar música de qualidade e iremos continuar a fazê-lo enquanto houverem pessoas criativas. Aqueles que são realmente criativos não se deixarão afundar com a falência de um modelo económico ou de um produto físico.
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