
O poder do MySpace em decidir quais as bandas que chegam ao estrelato não para de me surpreender. Graças ao sucesso mundial obtido por nomes britânicos como Arctic Monkeys e Lilly Allen, a rede social da News Corp. detem hoje em dia uma capacidade enorme de ditar as tendências que marcam o cenário da música. Como referiu Dom Cook, responsável pela divisão de música do MySpace ao New Musical Express:
Com 110 milhões de visitantes únicos em todo o mundo, o MySpace é o maior destino social a nível global na Web, aproximando os artistas dos fãs como nunca antes.
Dada esta enorme afluência de tráfego, em especial junto daquela faixa etária entre os 18 e os 24 anos, não admira que o MySpace queira tirar partido do rasto de dados que os utilizadores vão deixando ao longo das suas milhares de páginas:
O estudo MySpace08 analisa a forma como aproximamos as pessoas dos conteúdos e da cultura e identifica algumas tendências e géneros musicais interessantes que irão chamar a nossa atenção em 2008.
Dos géneros citados na “pesquisa” do MySpace, devo confessar que apenas conheço um:
- Toystep/Joystick Jungle - sons extraídos de brinquedos de plástico reciclados, consolas de jogos e teclados Casio para crianças (isto soa-me a chiptune)
- Bassline – combina elementos de speed garage, 4×4 garage e R&B
- Tape Music – uma nova sonoridade chil-out que abrange desde o ambiental ao psicadélico acústico
- Acousmatic – subgénero de música electroacústica – combina instrumentos acústicos com electrónica
- IDM – Intelligent Dance Music (esta já é velha – Aphex Twin, Autechre e Boards of Canada já fazem este tipo de música há mais de uma década)
- Screamo – mistura que combina emocore com hardcore punk
Quanto às bandas, será de admirar que todas as 10 bandas que constam do top de novos nomes a descobrir em 2008 do MySpace tenham uma página nessa rede social?
- Partyshank
- Peggy Sue And The Pirates
- Riuven
- Naz T Da Younger
- Tape Deck
- Conan and Mockisans
- Ebony Bones
- Joe Lean And The Jing Jang Jong
- Dead Disco
- Make Me a Model
Outra coincidência é que a maioria dessas bandas têm origem no Reino Unido e ainda nem sequer gravaram um longa duração. Mas qual a distância que separa um estudo pretensamente científico e uma forma de marketing encapotado utilizado para lançar artificialmente novos nomes e encher salas de concertos? Mais importante ainda, como é que o MySpace chegou a estes resultados?
O NME não adianta mas uma notícia do Net Imperative a que eu cheguei via Idolator fiquei a saber que o estudo foi elaborado pelo The Future Laboratory no âmbito do PROJECT:CREATIVE LAB do MySpace junto de uma amostra de 2500 jovens britânicos entre os 18 e os 24 anos ao longo de um período de seis semanas no final de 2007. Encontrei também outra referência ao mesmo estudo “MySpace 08: People. Content. Culture” no The Guardian que refere que a pesquisa não envolveu apenas as novas correntes musicais mas também as tendências emergentes da moda e as tribos urbanas que estão aí a aparecer. Seria interessante que alguém se lembrasse de recolher este mesmo tipo de informação do Hi5 e do Orkut, as redes sociais de maior sucesso em Portugal e no Brasil.
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Heresia, esqueceste-te do Squarepusher na lista de artistas que fazem IDM
curiosamente todos da mesma editora
Sérgio,
é uma boa referência, sim senhora. Gosto muito do Hard Normal Daddy – é um clássico
“tape music”?! wtf!!!
Dos artístas brasileiros que o Myspace regional dava como sucesso certo, nenhum deles, repito, NENHUM aconteceu!!!
E já é clara a cobrança de dinheiro para destacar artísta por aqui.
Só podemos lamentar…