Contas da Warner Music saem melhor do que o esperado

by Miguel Caetano on 6 de Fevereiro de 2008

Warner Music

No ano fiscal de 2007 o director executivo da Warner Music Group Edgar Bronfman Jr. poderia ter recebido um pacote anual extra de 3,4 milhões de dólares mas Bronfman teve o bom senso de recusar a quantia. Contudo, outros colegas seus não tiveram o mesmo sentido de decência: Michael D. Fleischer recebeu 3,2 milhões; Alex Zubillaga, vice-presidente executivo, teve direito a 3 milhões; o director executivo da Warner/Chappel Music David H. Johnson levou para casa 1,4 milhões; e o patrão da divisão de discos nos EUA Lyor Cohen recolheu 4,6 milhões de dólares.

Enquanto isto, as acções da Warner Music andavam pelas ruas da amargura. E os resultados financeiros relativos ao ano fiscal findado a 30 de Setembro indicavam uma descida de 60 por cento nos lucros. Mas de acordo com as contas relativas ao primeiro trimestre fiscal de 2008, a situação da editora discográfica parece ter melhorado ligeiramente. Afinal os ordenados e bónus chorudos que os executivos de topo recebem até têm alguma – pouca razão de ser. É que a queda podia ter sido bem pior…

Apesar das perda líquidas terem sido de 11 cêntimos por acção e do lucro operacional ter descido 45 por cento de 80 para 44 milhões no mesmo trimestre do ano anterior – devido ao fracasso da aquisição da promotora de concertos Bulldog Entertainment por 18 milhões de dólares em Maio de 2007 -, as receitas obtidas com o mercado da música digital aumentaram nove por cento em relação ao último trimestre do ano fiscal de 2007 e 41 por cento em comparação com o trimestre correspondente de 2006.

Os downloads de música online, serviços de subscrição, toques de telemóveis e webcasts representam agora receitas no valor de 141 milhões de dólares, isto é, 14 por cento do total das receitas . Estas por sua vez até aumentaram 7 por cento – de 928 para 989 milhões – quando comparado com o trimestre anterior. Mas em termos anuais, o crescimento é fraquito: 1 por cento.

Resumindo: “O crescimento, em particular no sector móvel, permaneceu lento” comentou Edgar Bronfman Jr. Mas: “Continuamos a explorar novos modelos de negócio que irão acelerar o crescimento do mercado digital. Estamos a alargar o nosso leque de direitos com novos artistas.” Pois, os tais contratos de 360 graus que agora quase todas as grandes editoras obrigam as bandas em início de carreira a assinar e que lhes concedem uma parte das receitas sobre os concertos, merchandising e clubes de fãs… Será que os artistas vão cair nessa ratoeira?

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