
Em Outubro passado, Ian Rogers, vice-presidente da divisão de desenvolvimento de produtos do Yahoo Music e um geek com anos de experiência no sector da música digital (WinAmp), deu uma conferência em que criticou todos os serviços de subscrição de música – incluindo o Yahoo Music Unlimited – por colocarem inúmeras dificuldades ao consumidor e restringirem a possibilidade de cópia dos downloads através do recurso a DRMs.
Ontem, Rogers publicou no seu blog a apresentação de uma conferência que ele deu no mês passado em Aspen nos Estados Unidos que apesar de ter uma escala mais ambiciosa interessa a todos os fãs que ouvem música a partir da Internet, assim como a todos os músicos e artistas que querem ter uma forte presença no meio online. E a apresentação já começou a gerar um sururu na blogosfera, com Bob Lefsetz e Mathew Ingram à cabeça.
Intitulada “Os Perdedores Desejam a Escassez. Os Vencedores Tiram Partido das Economias de Escala (Losers Wish for Scarcity. Winners Leverage Scale), a exposição de Rogers é algo extensa mas vale bem a pena ler para compreender como é contraproducente tentar gerar escassez artificial a partir de um meio caracterizado pela abundância, em que a atenção passa a ser o valor mais prezado – ao contrário da era dos meios de radiodifusão. Para combater a lógica dos “jardins murados” que ainda predomina na mente dos produtores de conteúdos, o executivo da Yahoo defende a necessidade da adopção de padrões abertos que tornem a experiência de ouvir música online muito mais transparente, interactiva e envolvente.
Mas para tal é necessário encarar definitivamente os utilizadores como co-criadores de valor e participantes activos. Um exemplo que ele dá de como é que isso poderá acontecer é das “embalagens digitais” de álbuns – escrevi um pouco sobre isso há alguns dias atrás. Mais do que uma solução proprietária imposas pelas editoras, Rogers advoga a possibilidade dos fãs poderem criar também eles próprios as suas próprias capas e imagens artísticas de álbuns – isso já aconteceu parcialmente com as dezenas de capas de In Rainbows dos Radiohead criadas pelos utilizadores e disponibilizadas no Flickr.
Por exemplo, o fã encontraria um álbum dos Pink Floyd no Yahoo. compraria o disco em formato digital na Amazon e teria acesso a metadados e capas criadas tanto pelas editoras e os artistas como por outros utilizadores. Uma maneira de fazer isto de uma forma intuitiva e eficaz poderá ser através do Project Opus, um serviço concebido por David Gratton que está a desenvolver um padrão aberto de identificação online chamado JAMM.
A ideia soa óptima, mas há aqui algo que não me está a soar lá muito bem: quer queiramos, quer não, a ideia de comprar música à unidade – seja single a single ou álbum a álbum – parece fazer cada vez menos sentido. Ao contrário do que Michael Arrington prognostica no TechCrunch, não me parece que este plano de Rogers implique que a Yahoo irá dentro em breve abandonar o seu serviço de subscrição de música. Apesar de momento não o parecer, os ventos poderão correr de feição para as empresas ligadas a serviços de subscrição – com a condição de que abandonem todo o tipo de DRMs, claro!
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Yahoo Music: Padrões abertos e co-criação de valor contra a escassez digital http://tinyurl.com/3d4own
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