Trent Reznor desapontado com resultados das vendas de Niggy Tardust

by Miguel Caetano on 5 de Janeiro de 2008

Poucas semanas depois do lançamento de In Rainbows dos Radiohead – vocês sabem, aquele disco do “você decide o preço”… – Trent Reznor aproveitou a promoção mediática gerada pela experiência e anunciou que tinha acabado de produzir um álbum de Saul Williams e que ambos tinham decidido lançar o disco segundo um modelo semelhante ao dos Radiohead. Quem quis receber o álbum de graça teve direito a uma versão de MP3 com um bit rate de 192 Kbps. Os mais generosos e dispostos a desembolsar cinco dólares puderam escolher entre uma versão MP3 de 320 Kbps ou FLAC.

Niggy Tardust

Reznor acaba de divulgar algumas estatísticas sobre a experiência no site dos Nine Inch Nails mas não parece estar lá muito animado com o balanço. Isto porque apesar de até ao dia 2 de Janeiro 154.449 pessoas terem descarregado Niggy Tardust, o novo disco do rapper, apenas 28.322 dessas pessoas (ou seja, 18,3%) decidiram pagar os cinco dólares solicitados. “Não tinha a certeza no que isto iria resultar mas essa percentagem – sobretudo por parte dos fãs – parece ser desanimadora”, refere Reznor.

No entanto, as coisas podem ser vistas a partir de dois ângulos. Se é verdade que o número de pessoas que compraram o CD anterior de Saul Williams em 2004 foi ligeiramente superior – 33.897 pessoas -, também é igualmente verdade que o número de fãs de música que ficaram a conhecer o trabalho do rapper aumentou consideravelmente. E como refere Chris Anderson no Long Tail, ao terem evitado recorrer a uma companhia discográfica tradicional, Reznor e Williams devem ter mesmo assim amealhado mais dinheiro. A questão é se essa soma terá sido suficiente para compensar as despesas de produção, gravação e distribuição – largura de banda do site – do álbum e de acordo com Reznor parece que não: “Ninguém ficou rico com este projecto.”

Porém, a verdade é que Saul Williams não é um nome propriamente conhecido no circuito da música independente pelo que não é de admirar que o consumidor hesite em pagar pela música de alguém que nunca ouviu falar. No fim de contas, o modelo da música grátis deve ser visto apenas como mais um instrumento de marketing para uma banda ou artista adquirir fama e uma forma de gerar dinheiro por outras vias menos convencionais. Por isso e tal como Mike Masnick do Techdirt, não me admirava nada que a agenda de concertos de Williams para este Verão acabe repleta de datas.

Nota: A imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e é de inconstanti.

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