
Tens mesmo a certeza que o álbum que acabaste de “sacar” de um tracker privado de BitTorrent, do Pirate Bay ou do Soulseek é o original tal como foi gravado em estúdio pela banda? Se os ficheiros falsos – temas alterados, distorcidos ou simplesmente em branco – já de si são indetectáveis antes de descarregarmos a música ou o álbum, ainda mais difícil seria detectar pequenas alterações ou remisturas dos originais. Mas será que alguém se daria a um trabalho tão minucioso, aborrecido e inútil quanto este?
Aparentemente sim, a julgar pelas declarações de um grupo de músicos profissionais anónimos denominado Overdub Tampering Commitee. Ao longo dos últimos três anos estes puristas musicais ou simples brincalhões descarregaram vários álbuns “leakados” - que ainda não chegaram às superfícies comerciais – da Internet de artistas populares. Depois, criaram novas versões dos mesmos temas contendo alterações subtis como instrumentos adicionais e técnicas de gravação e produção semelhantes ao estilo do registo original.
Sem que ninguém desse aparentemente por isso, no espaço de poucas horas os álbuns assim remisturados voltaram a ser distribuídos no Soulseek, OiNK, Pirate Bay, Limewire, tendo inclusive o grupo se dado ao trabalho de os comprimir em pastas ZIP e disponibilizá-los em sites como o YouSendIt e o Mediafire. Para que a disseminação fosse mais eficaz, eles difundiram os links para centenas de fóruns de discussão em todo o mundo.
Por isso, “é bastante provável que se descarregaste ilegalmente música da Internet, o nosso trabalho faça parte da tua colecção”, dizem eles no seu manifesto. E a propagação viral destas remisturas não ficou por aqui, já que eles referem que algumas delas chegaram mesmo a ser passadas em estações de rádio. A razão desta campanha secreta de poluição das redes P2P?
Há cerca de quatro anos atrás, um de nós descarregou um álbum de uma banda muito popular que tinha acabado de “leakar”. Enquanto escutávamos entusiasticamente o disco pela primeira vez, apercebemos-nos de uma música de death metal no meio do álbum que parecia completamente desenquadrada. A mudança óbvia de estilo e a capacidade de consultar a lista das faixas e o tempo de duração de cada música num site fidedigno fez com que facilmente tenhamos descoberto que este disco tinha sido alterado. Apagámos os ficheiros “leakados” e esperámos pacientemente pelo lançamento oficial do disco, quando o adquirimos numa loja.
Isto levou-nos a pensar: e se este problema se tornasse mais insidioso, subtil e massificado? E se existisse uma rede de músicos que tivesse acesso aos álbuns imediatamente assim que eles “leakassem”, acrescentassem várias instrumentações subtis adicionais e os voltassem a disponibilizar na Internet? Imaginámos um cenário em que alguém entraria num carro com um amigo, ele punha a tocar o novo álbum de _____ e nós diríamos: “Onde é que estão todas as secções de piano?”a que o condutor retorquiria, “Quais secções de piano? Este álbum é só guitarras e bateria.” Por fim, nós coçávamos a cabeça e diríamos, “Não na minha cópia!”
Mas será que isto é mesmo verdade e estamos perante um grupo de sádicos puristas ou tudo não passa de uma grande mentira orquestrada por alguém ligado à indústria discográfica para assustar os utilizadores de redes de partilha de ficheiros de modo a convencê-los a comprar o original? É verdade que eles dizem que não simpatizam com as grandes editoras, mas parece-me que tanto trabalho para nada, nem sequer a possibilidade de ver o seu trabalho publicamente reconhecido, é um tanto ou quanto masoquismo a mais.
(via Idolator)
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Sacaste um álbum “leakado”? Cuidado com o Overdub Tampering Commitee! http://tinyurl.com/2gnpmb