Rick Falkvinge do Partido Pirata explica porque é que o P2P é importante

by Miguel Caetano on 14 de Janeiro de 2008

Rick Falkvinge, fundador e líder do Partido Pirata da Suécia

Apesar de ainda não ter qualquer representante nos órgãos de poder, em apenas dois anos o Partido Pirata da Suécia conseguiu pelo menos fazer com que a sua mensagem fosse reapropriada por um grupo de 13 deputados do Partido Moderado, a principal força política do país que defenderam recentemente a descriminalização da partilha de ficheiros.

Numa entrevista ao fórum P2P Consortium, o fundador e líder dos piratas suecos Rick Falkvinge avalia as perspectivas para o seu partido tendo em conta o horizonte das eleições legislativas de 2010 e as europeias de 2009. Apesar de não acreditar que a linha oficial dos moderados se venha a alterar antes disso, o político considera que a discussão gerada à volta dos artigos de Karl Sigfrid e seus colegas colocou definitivamente a questão na agenda política, fazendo com que deixasse de ser encarada como secundária.

Contudo, o mais interessante das declarações de Falkvinge, é a forma inteligente como ele apresenta as duas partes em confronto na guerra pela cultura livre e pela partilha de ficheiros:

O que é espantoso é que este foi o ponto em que o inimigo – as forças que querem fechar a cultura e o conhecimento a cadeado à custa de uma vigilância total – se apercebeu que estava a ser seriamente atacado e montou todas as peças de defesa que conseguiu alistar. Pudemos ver pela primeira vez tudo o que eles podiam trazer para a batalha.

Basicamente: nada (…) Tudo o que foram capazes de dizer foi “ladrão, nós temos os nossos direitos, nós queremos os nossos direitos, não deve mudar absolutamente nada, queremos mais dinheiro, ladrão, ladrão, ladrão”. E para fazer passar a mensagem chamaram alguns artistas pobretanas. Enquanto nós falamos na diferença entre escassez e abundância, em monopólios, na natureza da propriedade, nas perspectiva históricas sobre a cultura e o conhecimento ao longo dos últimos 500 anos, estruturas de incentivos, teoria económica, tecnologias disruptivas, etc. A diferença em termos de nível intelectual entre os dois lados é espantosa.

Ficámos assim a saber quem são os inimigos e que eles não possuem absolutamente nada em termos de capital intelectual que possam trazer para a batalha. Eles têm, no entanto, as suas ligações intimas com os poderes instituídos. Isso constitui actualmente a nossa maior ameaça.

Uma parte importante da entrevista é quando Falkvinge refere que o facto da Suécia ser o país na vanguarda da luta pela partilha de ficheiros se poder dever – pelo menos parcialmente – aos elevados níveis de penetração das ligações de banda larga no país: “Quando tu ofereces a tecnologia às pessoas, elas acabam por descobrir por si próprias para que é que ela pode ser usada”.

Isto fez-me pensar em algo a respeito das possíveis graves consequências da política comercial do principal operador de acesso à Internet em Portugal. Refiro-me à decisão completamente ridícula, tacanha, pacóvia e saloia de discriminar entre tráfego nacional e internacional. Sem se aperceberem disso, os responsáveis por essa empresa poderão estar a condenar as jovens gerações deste país a um atraso cultural irreparável e talvez até de certo modo a assegurar indirectamente a nossa permanência na cauda da Europa.

(via OpenDotDotDot)

Nota: A imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e foi tirada por Jonas_H.

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