O que é que acontece aos CDs de Robbie Williams que não chegam a ser vendidos?

by Miguel Caetano on 17 de Janeiro de 2008

São reciclados e enviados para a China para servirem como pavimento e iluminação das estradas. O que pode parecer um fait-diver fútil numa peça do The Guardian de ontem sobre a reestruturação da EMI e os planos futuros do director executivo da Terra Firma Guy Hands diz-nos muito mais sobre a verdadeira situação em que a indústria discográfica se encontra:

Cerca de 85% do que a EMI edita nunca dá lucro, em parte devido ao dinheiro gasto em contratos com as bandas e também devido a uma sobrevalorização excessiva da procura. Por exemplo, é sabido que a empresa possui mais de um milhão de cópias do álbum Rudebox do Robbie Williams que ficaram por vender e que serão enviadas para a China para serem destruídas e usadas para pavimentação das estradas e iluminação das ruas.

Isto é que é de facto destruição criativa no sentido literal da palavra. Acho que não deve haver nenhuma indústria tão esbanjadora de dinheiro no sentido do supérfluo, da despesa improdutiva, do excesso, do desperdício de capital como a da música. O problema é que essa despesa é essencial para o regular funcionamento do sistema capitalista, tendo em conta o seu carácter esquizofrénico, a sua eterna indecisão entre trabalho/lazer e produção/consumo.

Se uma empresa que depende da produção de bens intangíveis, logo artigos que assentam pelo menos até certo ponto na criatividade, passa a concentrar-se apenas na produtividade dos seus artistas ela tem a sua sobrevivência económica a longo prazo ameaçada porque não consegue mais dar espaço para que eles ergam uma carreira e marquem uma impressão – deixa de haver espaço para super-estrelas. E por essa altura, os que já se tornaram vedetas já perceberam que é hora de abandonar o barco e manter uma presença directa junto dos fãs.

Nota: A imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e foi tirada por steffenz.

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1 Diego Matias 17 de Janeiro de 2008 às 12:43

A indústria da música é o capitalismo nu. Nela todas as contradições do sistema são escancarados na supervalorização de grandes artistas e principalmente na insistência pelo velho sistema de produzir música. Passou da hora de acordar.

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