
Volta e meia alguém regressa com a conversa de que “O Álbum Está Morto”. Desta vez foi o excêntrico milionário norte-americano Mark Cuban, aquele que está sempre a emitir opiniões sobre tudo e mais alguma coisa. No ano passado, chegou mesmo a dizer que “O P2P Está Morto”, imaginem – como vêm, é um senhor bastante original…
Os consumidores estão a comprar música à unidade. Penso que as pessoas estão dispostas a pagar 99 cêntimos por um single em vez do roubar. Mas acho também que as pessoas preferem roubar um álbum completo em vez de pagarem 10 ou mais dólares por ele.
Mas agora ele não se limitou a sentenciar a morte do álbum pois propôs uma ideia que até faz algum sentido. Cuban chegou à conclusão que os formatos de longa duração não têm futuro depois de ter visto que as vendas de CDs estavam em queda livre mas que, em compensação, muitos singles estão a ultrapassar a fasquia das 100 mil unidades. Daí que tenha pensado na ideia dos artistas começarem a “serializar” as suas músicas à semelhança das séries de televisão.
Coloca-se então a questão: porque é que os artistas não serializam o lançamento das suas músicas? Porque não criar uma “época” de lançamento de faixas, tal como a época de Outono das televisões, e prometer aos fãs que o (rapper) Flo rida irá lançar um novo single em cada semana ou de duas em duas semanas durante as próximas 10 semanas?
Na verdade, este modelo da periodização da música já foi adoptado com muito sucesso pelo músico autopublicado Jonathan Coulton que durante um ano publicou uma nova canção por semana. Outros artistas têm criado serviços de subscrição em que se comprometem a lançar uma faixa nova por mês ou ano – Kristen Hersh, por exemplo. Mas isso implica necessariamente o fim do álbum? Basta olhar para o caso dos Radiohead, que continuam obstinadamente a insistir que um álbum é mais do que a soma das partes e que transmite uma mensagem estética, uma experiência que o artista pretende transmitir. E as vendas tanto digitais como físicas de In Rainbows acabaram por lhes dar razão.
Como diz Steve Guttenberg – com algum exagero – no Audiophiliac: “Mark Cuban é um homem de negócios. Obviamente que ele sabe como ganhar um dinheirão mas se ele fosse um grande executivo de uma discográfica em 1966, os Beach Boys teriam ficado agarrados aos singles e nunca teriam feito o Pet Sounds.”
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a “Scott Beale / Laughing Squid”
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