
Toda a gente da indústria da música que importa está concentrada este fim de semana na cidade francesa de Cannes para participar no MIDEM, o maior certame do sector.
O ponto alto de ontem foi uma sessão de perguntas e respostas ao director executivo da Vivendi Jean-Bernard Lévy. De acordo com o PaidContent, o patrão da empresa-mãe da Universal Music Group afirmou que aquela que é a maior companhia discográfica do mundo irá continuar agarrada às DRMs e outras tecnologias de protecção anti-cópia, pelo menos no que diz respeito aos serviços de música por subscrição e financiados por publicidade.
Apesar disso, Lévy nota que a sua companhia se encontra a testar modelos de negócio de música sem DRM. A Vivendi também acredita na possibilidade de alcançar uma arquitectura de DRM interoperável. Agora já sabemos de onde é que veio a inspiração para o conjunto de propostas recentemente apresentado pela Comissária Europeia Viviane Reding…
A postura optimista de Lévy face aos números cada vez mais negros relativos às vendas de CDs não deixa de ser irónica, para não dizer mais. Na sua opinião, o CD físico ainda tem vários anos de vida à sua frente:
Não estamos perante a migração de um formato físico para outro digital mas sim de uma transição para modelos de negócio bastante diversificados dos quais os CDs irão continuar a fazer parte. Não penso que nos próximos anos iremos assistir a uma eliminação total dos CDs.
Vê-se… Quando questionado pelo empresário dos U2 Paul Guiness acerca da possibilidade de os formatos lossless sem perda de qualidade de som como o FLAC se virem a tornar mais comuns, Lévy respondeu sem hesitações que os consumidores não estão interessados nesse tipo de oferta actualmente. Isso pode ser verdade para a grande maioria mas não para um importante nicho que está habituado a gastar mais dinheiro com música mas recorre habitualmente ao P2P por falta de alternativas de qualidade.
Evidenciando mais uma vez uma postura do tipo "a situação é tensa mas está sob controlo", o CEO da Vivendi terminou a sua conferência sublinhando que o cenário apocalíptico traçado por muitos dentro da indústria discográfica é bastante exagerado:
É claro que não está a correr tão bem assim, mas vejam o nosso desempenho: as nossas receitas não estão a descer, temos margens de lucro de dois digitos e não está assim tão mal como muitas pessoas dizem que está.
Em resumo, tudo está bem no reino da Dinarmarca… até à ruína final.
Nota: A imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e foi tirada por rsepulveda.
Artigos relacionados:



{ 1 trackback }
{ 0 comments… add one now }