
Se o movimento da cultura livre conta com “gurus”, Lawrence Lessig é um deles. O jurista norte-americano ficou mais conhecido por ser o co-fundador da associação Creative Commons que veio a dar origem às licenças com o mesmo nome. Hoje em dia o número de obras intelectuais livremente disponíveis online ou offline com um rótulo CC já deve rondar os 200 milhões, entre blogs, imagens, vídeos e – claro… – músicas.
Editado originalmente em 2001 pela Random House, The Future of Ideas era até agora o único dos quatro livros de Lessig que não estava livremente acessível na Internet. Após anos de negociações com a editora, Lessig consegui finalmente liberar a publicação da obra sob uma licença CC e pode ser descarregado/baixado aqui (versão em inglês), como ele próprio anunciou no seu blog.
Apesar do tempo que passou, o livro contém uma defesa intransigente da inovação e das ideias criativas na Internet contra as forças de bloqueio que clamam pela propriedade intelectual. Desengane-se porém quem pense que o relato de Lessig é optimista. Pelo contrário, ele receia que as empresas de media, os produtores de conteúdos e outros grupos de pressão dependentes dos copyrights e das patentes se aproveitaram dos seus monopólios legais benevolamente ampliados por políticos e entidades reguladoras para explorar de uma forma predatória a Internet e travar o livre fluxo de informação e conhecimento que a tecnologia permitia.
O resultado seria semelhante a um cenário em que de um fórum aberto, livre e transparente de ideias que deu origem às redes descentralizadas de P2P aproximaria-nos cada vez mais de uma nova Idade Média, uma televisão cabo mais rápida em que todos os pontos de acesso seriam controlados por uma pequena minoria, graças a uma infra-estrutura técnica e legal subtilmente implementada ao longo de anos pelas indústria de entretenimento.
Felizmente que as previsões apocalípticas de um ciberpanóptico avançadas por Lessig não se concretizaram até ao momento, apesar de todas as tentativas de bloqueio, filtragem, censura e monitorização de conteúdos efectuadas por um pequeno grupo de conglomerados transnacionais dos media, música, cinema e software. Para demonstrá-lo, nada melhor do que o sucesso das Creative Commons e a livre publicação de The Future of Ideas segundo uma licença CC-BY-NC.
Isso quer dizer que qualquer pessoa pode traduzir o livro desde que seja para fins não comerciais. Uma vez que já existe o Cultura Livre em versão brasileira , quem sabe dentro de alguns meses eu possa dar aqui a notícia do lançamento do “Futuro das Ideias”, de preferência com tradução a cabo de uma editora portuguesa? Talvez daqui a 50 anos
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a cabo de uma editora não, mas na verdade era um desafio interessante para algumas pessoas, sei lá, está a passar-me pela cabeça que algum professor universitário “convide” alguns dos seus alunos a fazer uns “trabalhitos” extra em prole da cultura.